Centro Sul – Na região, a colheita do feijão já se encontra na fase final. Deve encerrar – no máximo – num período de 15 dias. A safra teve início em janeiro e segue até a segunda quinzena de fevereiro para quem plantou mais tarde. “Hoje o feijão tem um período mais prolongado de plantio e as últimas lavouras que foram plantadas, agora estão sendo colhidas. Estive em uma propriedade no interior e pude perceber que a produtividade está boa”, destaca o gerente municipal da Emater, Walter Coelho.
Os produtores que estavam preocupados com a estiagem que ocorreu no final de 2011, puderam comprovar algumas perdas na produção. “Dependendo da época de plantio, o produtor se deparou com uma época prolongada de seca, bem na fase crítica da cultura de feijão, que é a fase do florescimento e formação de vagem. Houve quebra, houve baixa produtividade, mas não de uma forma generalizada, principalmente naquelas áreas onde coincidiu com a época de florescimento”, explica o gerente.
Há aproximadamente 30 anos a família do produtor Anderson Procópio cultiva feijão. Ele conta que a falta de chuva atrapalhou bastante a plantação e o resultado pode ser conferido na colheita: cerca de 30% da lavoura foi perdida. “Nós gostamos de plantar feijão porque é uma cultura rápida. Investimos na qualidade, mas o tempo não ajudou”, indica Procópio.
Em alguns casos esparsos, a colheita de feijão em algumas lavouras ainda não aconteceu. Para o gerente da Emater, o clima tem colaborado: “não houve temporada de chuvas prolongadas no período de colheita. Então o produtor está conseguindo um produto de boa qualidade nesse restante de safra”, afirma. E ainda reforça: “Não se concebe mais produzir e vender feijão de qualquer jeito, algumas empresas que ensacam o grão estão importando para manter a qualidade”, alerta.
De acordo com dados do Informativo Mais Feijão, as importações de feijão devem crescer nesse ano por conta da disparada do preço do feijão brasileiro. Motivada pelo preço, a Argentina tende a trazer um volume de feijão preto significativo a partir do meio do segundo semestre. China e Bolívia também estão de olho no mercado brasileiro. A expectativa é que 200 mil toneladas do grão internacional venham parar na mesa do brasileiro.
O início da safra é sempre um período mais favorável para vender o produto. A saca começou a ser vendida em torno de R$100, atualmente mantém-se na casa dos R$80. “Quando começou a entrar um volume maior de grãos, a tendência foi o preço cair. Mas está melhor do que em relação ao ano passado”, compara Coelho.
O feijão preto é o mais plantado pelo pequeno produtor em decorrência da região. E o mais consumido nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Mas já é possível perceber uma mudança de plantio na região, agricultores estão migrando para o cultivo da soja, por representar uma cultura mais segura, com risco reduzido de perda.

Texto: Gisele Manjurma, Da Redação
Publicado na edição 606, 15 de novembro de 2012.

 
 

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