As frutas que serão trabalhadas são: uva, kiwi, morango, pêssego e ameixa

Centro Sul – A região Centro-Sul apresenta um grande potencial para o desenvol-vimento da fruticultura, mas ainda falta organização aos produtores rurais. Isso foi o que demonstrou o levantamento feito pelo Sebrae nos municípios da região, que buscou analisar os desafios e potencialidades do setor. A pesquisa foi realizada a pedido da União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafis), que tem cerca de 140 cooperativas associadas no Paraná. O quarto e último Encontro Territorial de Fruticultura aconteceu em Imbituva na quinta-feira (24). Antes já havia ocorrido em Prudentopólis, Irati e Mallet.
O vice-presidente da Unicafis, Adyr Antonio Fioreze, explica que a região já vem explorando o potencial da produção de fruticulturas há um bom tempo, fato que motivou o levantamento. “Mas ainda existe um campo muito vasto a ser empreendido. A tendência é que se o território continuar investindo, acreditando e viabilizando recursos para pesquisa e assistência técnica, o setor traga bons frutos e renda para os produtores”, afirma.
Ele cita ainda que o território Centro-Sul tem dois itens que favorecem o crescimento e desenvolvimento da produção. “O clima é o mais propício do Estado para o cultivo de algumas espécies. Outro fator determinante é a localização favorável para o escoamento das frutas e produtos através dela produzidos”, analisa Fioreze.
A consultora do Sebrae, Elizandra Severgnini, disse que os encontros buscaram construir um plano de fruticultura para o território. “Através da compilação de dados e informações sobre diversas culturas de frutas, iremos montar um relatório que será entregue às prefeituras e instituições da região, que comprovam o imenso potencial da fruticultura para o desenvolvi-mento da economia rural dos municípios”, define.
Elizandra comenta que a região tem a possibilidade de estar produzindo frutas com alto valor agregado, como o kiwi, a ameixa, o pêssego, a uva, o morango, entre outros. “Temos uma demanda muito grande no Paraná por essas culturas, isso em produtos in natura, como também industrializados. Nossa produção estadual não atende à necessidade de consumo, por isso importamos muito desses produtos”, conta. O Paraná é o terceiro maior produtor de frutas no Brasil, mas não consegue atender nem à demanda interna.
Com a apresentação do relatório, espera-se que prefeituras e instituições formulem um plano de negócio e estratégias para alavancar a fruticultura na região Centro-Sul. “Além da venda in natura dos produtos, pode-se ainda agregar valores em seu processamento, transformando-as em: polpas, compotas, geleias, vinhos, entre outros. Fizemos um levantamento e vimos que há muita produção de vinho na região, mas ela é feita em unidades familiares, sem a aquisição dos registros, que possibilita a comercialização em outros municípios e até em outros estados”, frisa.
De acordo com as informações coletadas, a principal deficiência da região é quanto à organização dos produtores rurais. “O que precisamos para difundir um pouco mais a fruticultura, é o apoio de pessoas especializadas no campo. Mais técnicos que possam estar ajudando os fruticultores no desenvolvimento das plantas frutíferas, como estar desenvolvendo frutos bons”, aponta.
Ela cita ainda que a escolha da técnica utilizada influencia diretamente na produção. “Em alguns municípios há uma produção de 15 mil quilos/hectare, outros conseguem atingir 50 mil quilos/hectare. Isso no mesmo clima e na mesma região. Vamos precisar de técnicos trabalhando no campo e junto aos produtores para ver quais as alterações genéticas foram feitas nas plantas para aumentar a produtividade”, indica.
Outra questão lembrada por Elizandra é que, com uma assistência técnica, o agricultor se sente mais confiante e seguro da sua plantação. “A região tem terras férteis e muita capacidade para produzir, existe mercado para essa demanda, basta ter produtos de qualidade para vender”, salienta.
A consultora avalia que a principal necessidade do setor é a organização dos produtores. “As pessoas não estão organizadas para trabalhar em conjunto, existe infraestrutura suficiente na região. Falta os produtores se reunirem e terem estrutura formal para negociar juntamente com quem compra o produto, porque da maneira como está é muito difícil o produto entrar direto no mercado”, observa.
As frutas que serão trabalhadas no plano de cadeia são: uva, kiwi, morango, pêssego e ameixa. Algumas informações levantadas apontam que a uva tem uma quantidade produzida significativa, são 274 produtores com uma capacidade de produtividade média de 110 mil quilos por hectare. O morango também tem uma capacidade de produção expressiva, são 71 produtores, com uma capacidade produtiva de 265 mil quilos por hectare.
“O plano de fruticultura será iniciado pela uva, na sequência o morango, kiwi e pêssego, essa é a previsão das estratégias de implantação de técnicas e instruções aos produtores.
Se formos trabalhar todas as frutas ao mesmo tempo não sai um trabalho bem feito”, opina Elizandra.
O presidente do Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural (Cedejor) e secretário do Conselho Gestor, Edilson Santos, acredita que a fruticultura já vem dando resultados positivos. “Já foram dados passos rumo ao desenvolvimento da cultura. Nossa região tem potencial, e vemos que o que falta é realmente a organização e união dos fruticultores”, salienta.
Santos fala que antes se discutia o assunto, mas não havia dados que certificassem as informações, agora com esse estudo será possível se basear nos dados compilados para formular as estratégias.
Ele, que também é produtor de fumo, começou a migrar para a fruticultura há três anos. “Comecei a plantar frutas e fui diminuindo os pés de fumo. Hoje mantenho a minha renda com as duas culturas. Você não pode parar uma atividade e começar outra, a orientação é ir substituindo aos poucos a cultura na propriedade”, conlcui.
Os agricultores que desejarem conhecer um pouco mais sobre a fruticultura podem procurar as Secretarias de Agricultura de seus municípios.

Texto e foto: Adriana Souza, Da Redação
Publicado na edição 597, 30 de novembro de 2011

 
 

1 Comentários

  1. Angelo Aparecido Marconato disse:

    Boa Tarde!
    Sou Técnico e produtor de Uva no municipio de Prudentopolis, sempre agreditei que a fruticultura é a alternativa para manter os produtores rurais no campo e com (renda), tenho um trabalho neste sentido com um pequeno grupo de agricultores desde 2002, temos enfrentado muitos problemas no grupo, mas nada se compara com a falta de vontade dos orgaos de assistencia técnica de todas as estancias. Esta iniciativa do territorio é muito importante para o desenvolvimento da agricultura na regiao, (parabens), mas infelizmente tem que haver grandes mudanças no quadro de ATER, para que nao seja mais um grande programa que inicia e por falta de assistencia nao tenha um sequencia.

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