Irati – Professores e monitores que atuam nos 10 núcleos do Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil (PETI) receberam atualizações de capacitação para o trabalho com as crianças atendidas ao programa ao longo da última quinta e sexta (2 e 3). Mensalmente, eles se reúnem para tratar sobre questões disciplinares, de afetividade e para conhecer programas correlacionados à família. Além disso, eles passam frequentemente pelo processo de conscientização sobre como proceder a inclusão social destas crianças a partir da escola, bem como o modo de denunciar a ocorrência eventual de trabalho infantil.
Antes do retorno às aulas, que começam nesta quarta (8) para a Rede Municipal de Ensino, os professores e monitores participaram de dois dias de formação, promovidos pela Secretaria Municipal de Bem Estar Social, que envolveu, entre outras coisas, palestras, dinâmicas, elaboração de projetos, planejamento didático, preenchimento de cadastros que envolvem o PETI.
Eles também receberam esclarecimentos sobre encaminhamentos, funcionamento e procedimentos quanto à inclusão de beneficiários ao programa; bem como a respeito do controle da frequência escolar dos alunos (um dos indicadores de eficiência do programa), a fiscalização e outros assuntos relacionados. Os professores e monitores também tiveram acesso a informações sobre os programas correlatos da Secretaria de Bem Estar Social.
Ainda na quinta (2), eles receberam uma palestra sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA); a Legislação que rege a proibição do trabalho infantil e quais são as funções do Conselho Tutelar.
Já na sexta-feira (3), eles participaram de um workshop sobre didática básica, com instrutores do Senac, que apresentaram métodos para envolver a criança a fim de estimular ainda mais o aprendizado.
A professora Glauciane Jenzura, que atua na Escola Municipal Antonina Fillus Panka, na Vila Nova e desde 2008 integra o PETI, considera que “trabalhar com essas crianças é bem gratificante, pois eles vêem em nós um grande apoio, que muitas vezes eles não encontram em casa”, diz. Glauciane analisa que boa parte do alunado é constituída de crianças com carências tanto emocionais quanto educacionais, “pois não contam com apoio nenhum em casa. Para eles, somos um super apoio, em todos os sentidos, principalmente no afetivo”, observa.
Segundo ela, trabalhar num projeto de erradicação do trabalho infantil deve, sobretudo, envolver a educação dos pais, no sentido de orientar sobre os danos que a exposição ao trabalho pode causar no desenvolvimento da criança. “Existem pais que achar que as crianças são obrigadas a ir para escola apenas para ganhar o Bolsa Família”, ressalta ela, que diz crer que para muitos deles a ação educativa viria em segundo plano.
“Na verdade, elas não querem trabalhar. Até os alunos que eu tenho lá na Vila Nova adoram ir para o PETI. Quando dizemos que nos sábados não tem o programa, eles ficam tristes, porque eles preferem estar na escola, uma vez que não encontram muitas vezes a afetividade e o apoio ao aprendizado através do material escolar em casa”, comenta Glauciane.
Quanto à formação, a professora disse que a principal contribuição do curso se refere à palestra ministrada pelos agentes do grupo Sentinela, que abordaram a questão da afetividade, segundo ela, algo necessário desde o início para que o professor obtenha êxito em seu trabalho, a partir da criação de vínculos afetivos com o aluno. Em relação à didática, Glauciane também considera crucial para o trabalho, pois é preciso sempre recriar formas de despertar o interesse e o envolvimento do aluno com o conteúdo ministrado. “Dessa forma, ela vai compartilhar o que aprendeu da história e evidenciar sua personalidade”, enaltece.
O PETI é aplicado em 10 escolas da rede municipal. Na zona urbana, nas escolas Plínio Anciutti, Antonina Fillus Panka e na Unidade Social do Nhapindazal. Na área rural, o programa é desenvolvido nas localidades de Linha Pinho, Gonçalves Junior, Itapará, Cerro da Ponte Alta, Guamirim, Pirapó e Rio do Couro.

Texto: Edilson Kernicki, da Redação
Publicado na edição 605, 08 de fevereiro de 2012

 
 

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