Irati - A Universidade Estadual do Centro-Oeste – Unicentro recebeu correspondência da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná, por meio do Departamento Penitenciário do Estado, parabenizando a instituição pelo “4º Concurso de Literatura Carcerária”, realizado em 2011.
No documento, assinado por Maurício Kuehne, diretor do Departamento Penitenciário do Estado, foi ressaltada a importância de registrar literariamente as emoções experimentadas atrás das grades e destaca que a iniciativa é um dos instrumentos fortalecedores do processo de integração e humanização das relações.
Literatura Carcerária
Desde 2007, detentos da 41ª Delegacia de Polícia Civil de Irati – e, a partir de 2011, também os do Centro de Regime Semiaberto de Guarapuava (CRAG) – são estimulados ao exercício da leitura e da escrita por estudantes do curso de Pedagogia da Unicentro, estagiárias do Pró-Egresso, ao levar até eles livros e auxiliá-los nas dificuldades de leitura e escrita que possam ter, através do letramento.
A partir de 2008, um concurso passou a incentivar ainda mais o desenvolvimento de atividades literárias dentro das carceragens. Os detentos passaram a produzir poesias, contos e crônicas, que seriam avaliadas por um júri, que consideraria as produções textuais conforme conteúdo e forma. Aqueles que obtêm melhor desempenho recebem uma premiação simbólica ao final do ano.
A coordenação do projeto observa, desde a implantação do mesmo, uma considerável melhora na convivência entre os próprios encarcerados e entre eles e as estagiárias. Além disso, cresce gradativamente, a cada ano, a adesão dos detentos nas atividades propostas pelas estagiárias.
Os desenvolvedores do projeto reconhecem a leitura na prisão como uma oportunidade de que o detento tenha uma válvula de escape da tensão provinda da ausência da liberdade. A escrita, por sua vez, teria a função de desencadear o exercício cognitivo e também de pensamento e linguagem. Além disso, expressar-se nessas produções textuais, segundo a coordenação, permite estabelecer uma ponte entre o detento e o mundo externo à cadeia, contribuindo para fazê-los se desvencilhar de sentimentos como medo, solidão e culpa.
Entre os temas mais recorrentes nos textos estão: a liberdade, a família, a paz, o amor e o recomeço, o que evidencia uma busca de lidar cada vez melhor com os conflitos interiores e o desenvolvimento de uma autocrítica.

Texto: Da Redação, com assessoria
Publicado na edição 606, 15 de novembro de 2012.

 
 

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