O mito da caverna de Platão nos leva a pensar em alguns pontos da nossa vida. O próprio mito nos revela como nos distraímos com algumas coisas tão banais e fúteis da vida, que não analisamos o contexto e a beleza das coisas.
Muitas pessoas hoje em dia não leem, e não se interessam nem um pouco. As pessoas estão esquecendo o mundo lá fora. Tudo que vão fazer está baseado no computador ou na televisão.
Platão morreu, mas sua ideologia, não. Podemos não ser aprisionados numa corrente e numa caverna, mas estamos de certa maneira aprisionados à globalização. Somos manipulados de certa maneira. A única saída que nos resta é acordar para a vida, despertar de um mundo materialista que só tende a nos consumir diariamente, enfraquecendo nossas mentes e tornando-as cada vez mais dependentes.
Ao longo da evolução humana, muitas teorias surgiram para expressar a coexistência entre o ser e o pensar. Teorias que também visavam à origem humana, e que deixavam de lado a ideia mitológica e religiosa sobre a nossa criação.
Nós ainda vivemos como no mito da caverna de Platão. Para nós, a realidade é uma sombra e nada mais que isso.
Temos que engolir propaganda política mentirosa, políticos mentirosos tentando angariar votos através da mídia. Infelizmente o governo não investe em livros, isso os torna muito caros, impossibilitando a leitura para a maior parte da população.
Como no mito de Platão, que um dos homens conseguiu escapar das correntes onde era aprisionado, este homem que escapou foi o único que conseguiu ver a realidade, temos de ter esta consciência de tentar nos libertar das correntes para podermos ver a realidade como ela é e não somente sombras. Temos de parar de ser hipócritas, pois sabemos que estamos agindo de forma errônea, mas persistimos no erro, pois é mais fácil sermos espectadores do que protagonistas.
Esse não é um problema de simples solução, requererá muito empenho, passa talvez pela mais difícil resposta que teremos de responder, que é Conhecer a Ti Mesmo.
Não podemos ficar simplesmente vendo o que acontece com a sociedade e seu desmoronamento. Temos que acompanhar as mudanças que se operam no mundo e estar afinados com seu diapasão. É nosso dever auxiliar o nosso semelhante para construção de uma sociedade mais justa e humana, e como poderemos fazer isso se estamos acorrentados presos em uma caverna e vemos somente sombras. Olhar para o nosso interior e começar com esta transformação por nós, este é nosso principal desafio.
Essa reflexão para ser pragmática e construir numa autêntica REVOLUÇÃO deve ser sincera, inteligente e corajosa. Enquanto não formos suficientemente fortes para refletir com profundidade sobre os problemas da sociedade contemporânea tudo continuará como está.
Sêneca, filósofo e estadista, proclamava: “ao marinheiro que a nenhum porto se dirige, nenhum vento lhe sopra favorável”. Portanto, para que esta mudança de perspectiva realmente aconteça, ela deve começar por nós.

Walter Alexsandro Silva
Publicado na edição 606, 15 de novembro de 2012.

 
 

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