Por volta de 1971 passaram em Irati uma estranha mulher e sua filha. Acamparam em frente a então Escola de Tratoristas do Ministério da Agricultura, onde hoje está o Colégio Florestal.
Viajavam com vestimentas esquisitas, a cavalo e acompanhadas somente por alguns cães. Diziam que estavam em peregrinação pela América do Sul.
As desconhecidas haviam saído do Paraguai e percorreram parte do continente.
Desde a figura das mulheres, ao modo de se comportarem causou curiosidade aos moradores da região do Irati Velho. Porém, como não incomodavam aos moradores, ninguém se importou com a presença das mesmas.
Quando precisavam de algo, recorriam a um funcionário da Escola de Tratoristas, principalmente para comprar mantimentos e, estranhamente, solicitavam muitos rolos de papel higiênico.
Quanto a seus nomes, somente diziam ser a Condessa dona Nora Deyse e sua filha Holdine. Ficaram no local por algumas semanas. Certamente usavam identidades falsas.
Recentemente, soube-se através do programa do Jô Soares, em entrevista com um casal de médicos (Christiane Pereira e Luiz Franco) de Foz do Iguaçu, que essas senhoras pertenceram ao staff do ditador Adolf Hitler. A senhora mais velha foi paciente de Christiane, em um posto de saúde de Foz do Iguaçu. Rúbea, olhos claros, arrogante, culta, politizada, já com aproximadamente 70 anos de idade, e, então, em condições econômicas precárias. Contava à médica detalhes do 3º Reich com ricos pormenores, fato que suscitou certa curiosidade na profissional da medicina. Relatava, ainda, que sua mãe tivera um caso amoroso com Hitler, nos jogos Olímpicos de 1936. Dizia também que, depois de uma viagem pela América, durante 17 anos, retornou a Foz do Iguaçu.
O casal de médicos, depois de cinco anos de pesquisas, várias viagens e coleta de muitos documentos, constatou que a Condessa poderia ser filha de Joseph Goebbels, chefe do Serviço Secreto alemão (SS), uma das mais terríveis organizações genocidas da 2ª Guerra Mundial. Com tal material escreveram um livro, composto de quatro volumes, sobre as mulheres, intitulado KBK – “A vida e a saga de Holdine e Magda Goebbels”.
Na entrevista, o casal disse que, certamente, muitas das pessoas próximas ao ditador, após sua queda, dentro do bunker, mataram-se e envenenaram seus filhos com o letal cianureto. Contudo, outros, habilmente, conseguiram fugir. Talvez, como essas mulheres. Isso narra a história oficial, que também pode se tratar de um grande teatro.
Conta-se que mãe e filha vieram, primeiramente para o Uruguai e, após, transferiram-se para o Paraguai, pois alguns dos países sul-americanos acolhiam tais fugitivos. Inclusive, dizem alguns historiadores, Getúlio Vargas era simpatizante do regime nazista. Além do então deputado federal Plínio Salgado, que fundou e liderou a Ação Integralista Brasileira (AIB), partido de extrema-direita, inspirado nos princípios do movimento fascista italiano.
O fato é que, em Irati, o funcionário da Escola de Tratoristas, Oto Stadikoski confirmou a passagem dessas mulheres para o Dr. Orlando Schimalesky (chefe da então Escola de Tratoristas), pois as atendia fazendo as compras solicitadas.
Os médicos historiadores relataram que as mulheres escreviam suas passagens nos rolos de papel higiênico, para disfarçar suas identidades se fossem presas, já que os nazistas eram perseguidos em nível mundial há muito tempo.
Quantos segredos ainda estão mergulhados no grande oceano da história? Nossa cidade faz parte desses mistérios.

Dagoberto Waydzik – Engenheiro Civil
Publicado na edição 596, de 23 de novembro de 2011.

 
 

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