O que se ouviu por ai…
Enobran Renner / 4 de maio de 2011 14:11
“Fico enjerizada de tudo quando os telejornais invadem minha casa para anunciar que foi diagnosticada uma pneumonia leve na madame. Ela que fosse até um posto público de saúde e se submetesse ao tratamento que é dispensado aos seus eleitores. O senhor doutor, comprometido com a ética jurada, sequer a olharia nos olhos, já receitaria um medicamento qualquer, exatamente porque o atendimento que se recebe é qualquer, e a despacharia para casa. Mas não. Ela não precisa passar por isso e jamais se sujeitaria a isso. Então ela não sabe o que é a saúde pública. Os noticiários que divulgam a sua pneumonia leve são os mesmos que divulgam as mortes nas filas para o atendimento. Os sistemas de saúde não.”
De uma sujeitadora de informações distintas, expressando o enjerizamento comum de quem recebe tratamento indecente de gentes que se dizem o contrário.
“Se as pessoas potencializassem a sua inventividade para realizar projetos pessoais com o mesmo empenho que usam para criar fórmulas mágicas para tudo, o mundo certamente seria diferente e as pessoas mais felizes. Mas só se percebe essa capacidade para o resultado imediato e daí as coisas não funcionam.”
Comentário racional de um cético observador das capacidades populares, na imediatização da lógica funcional.
“As maiores perversidades humanas jamais deveriam estar relacionadas aos valores de natureza moral, que trazem consigo uma carga de subjetividade que impossibilita uma determinação concreta das suas consequências. As maiores perversidades humanas devem ser avaliadas a partir das consequências imediatas que produzem dor, aniquilação e prejuízo. Assim, se estabeleceria uma base mais simplificada para aplicação de penas ou perdão e os administradores públicos e privados, políticos ou não, se sentiriam mais vulneráveis à justiça, e, consequentemente, teriam um compromisso mais pragmático com a retidão.”
Do mais ingênuo preterizador de situações, incentivando a concretude das impossibilidades e subjetivando as utopias inocentes, iludindo-se na filosofia.
“É tanta enrolação, tanto descaso, tanta falta de respeito, que não admira que o povão, aquele que define a eleição porque é maioria de voto, se sujeite ao apadrinhamento.”
Do identificador de apadrinhamentos, impotencializado na dor de ver que a consciência política é estrangulada pela necessidade de qualquer natureza.
Enquanto isso…
“No meio do caminho tinha uma pedreira, tinha uma pedreira no meio do caminho.”
Plubicado na edição 567, em 04 de maio de 2011
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