O que se ouviu por ai…
Enobran Renner / 16 de março de 2011 14:35
“Me perdoem os estudiosos da história política, mas há equívocos sérios demais na avaliação dos impactos sociais causados pela desordem legislativa, com toda a carga significativa que isso representa. Ao falar da desordem legislativa, não estou falando das deficiências apenas em relação à composição da ordem legal. A deficiência é mais séria, pois abrange um lado da execução legal que permanece como uma caixa preta, como algo sagrado. Só que é o contrário, é profano. Não há outra forma de referenciar a desordem que é a célula originária de toda impunidade que alimenta o crime nas suas diferentes expressões. Corrupção é apenas uma delas.”
Do mais desordenador de ordens invisíveis, formando referências embrumadas na profanação da lógica; decompondo a estrutura das formalidades para dizer, não dizendo, da caixapretação celular crimecorrupcional.
“Pior do que as imagens mostrando aquele monte de gente mijando descaradamente nas ruas, sem o menor pudor, é lembrar que o olhar desviado para o lado via iguais cenas ao vivo. Com a mesma cara de pau e o mesmo despudor mostrados na televisão. Ver uma criança sendo aparada para fazer um xixizinho inocente na esquina é uma coisa, ver um marmanjo ou uma marmanja ajeitando-se no pós-mijação e ainda achar que está abafando é o fim da picada. Isso é carnaval?”
Da mais injuriada finalizadora de picadas, amontoando imagens misturadas de jornal e da lembrança, desamparando-se nos risos de alívio bexigal, desconsiderando as necessidades gerais da nação, traduzidas, entre confetes e serpentinas, em mijação. “Será que antes os foliões não sentiam necessidade de aliviarem-se do natural acúmulo de líquidos armazenados ao longo do dia? Ou será que nos antigos carnavais de rua havia alguma forma de conter as necessidades diuréticas dos pierrots e colombinas? Ou será, ainda, que junto às máscaras e fantasias os foliões de então levavam seu urinol na bolsa? Ou será o quê? O que eu entendo é que estão fazendo muito barulho por pouca coisa. Considerando-se que é apenas uma vez por ano.”
De um potencial protagonista de ações elencadas em conversas informais sobre as mazelas estruturais carnavalescas, denunciando-se pela imediata e enfática defesa aos usuários de postes e cantos escuros e sugestionando a urinolização da história.
“A busca por respostas aos anseios comuns não pode ser interpretada como iniciativas de enfrentamento ou como expressões de desafeto. Quando isso acontece, há a necessidade de se reavaliar os padrões determinantes das estruturas que operam na congruência dos interesses postos, de maneira que as interpretações não se equivoquem em nome das possibilidades como elas se apresentam.”
Na extrapolação da lógica nadista, a exploração da enrolação em nome da prolixidade recíproca. Queria o quê? Fala-se um monte de nada para dizer nada.
Enquanto isso…
“Tem que rezar… tem que rezar!”
Enobran Renner
Publicado na Edição 561 em 16 de março de 2011.
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