“É um equívoco, senão ignorância, afirmar que o governo paga para as pessoas não trabalharem. Todos os programas oficiais de transferência de renda possuem critérios específicos para a sua concessão. Também possuem as condicionalidades que, se não correspondidas, fatalmente bloqueiam a concessão. Isso é controle social.”

De um esvaziador de legitimidades, querendo acreditar que meia dúzia de gatos pingados lúcidos fazem a diferença no meio de um deserto povoado de hienas.

“É para desinteriar ao vento? Então falemos do governo que paga para as pessoas ficarem em casa sem trabalhar; o que não é verdade! Mas falemos, também, da sociedade que enriqueceu não pagando para as pessoas que para ela trabalharam. E isso é verdade. Me desculpem, mas falar de enriquecimento social é entender o que significa distribuição de riquezas. Porque distribuição de trabalho a gente já sabe o que é.”

Da faladeira embriagada, pensando capitalisticamente e se expressando enchendosacamente na mais desimportante conversa de fim de dia, de ano, da picada…

“Com certeza as negociações em torno dos cargos disponíveis estão acontecendo no lado de lá das cortinas dos bastidores.  Como há mais gentes querendo os cargos do que cargos querendo as gentes, a disputa se dará pela força da representatividade. Nessa disputa de forças políticas, tem gente que pensa que é o que não é e tem gente que não é o que pensa que é. Entende?”

De uma explicadora de intenções, futilizando a lógica como premissa do entendimento que não possui.

“À medida que as coisas vão acontecendo, vemos com mais clareza a astúcia sendo desmascarada. Tínhamos que fazer campanhas educativas; informativas; elucidativas. Tínhamos que implantar o estudo da política como matéria transversal. Tínhamos que criar vergonha na cara e não permitir que brincassem de tão mal gosto conosco com a gente. Tínhamos que gritar que além das pedras, no meio do caminho, há buracos enormes. Muitos dos quais, cavados com as pás da nossa ignorância.”

Do autocompadecido descobridor de obviedades, instrumentalizando sua descoberta, ainda que tarde.

Enquanto isso…

“Quem não sabe de si, saberá do quê?”

Enquanto isso II…

“É mole?”

Publicado na edição 549, em 15 de dezembro de 2010

 
 

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