Dia do Professor
José Maria Orreda / 13 de outubro de 2011 16:14
Um professor devia ser um santo, um sábio, um artista. Erasmo Pilotto.
O que é educação? Educação é aquele professor que ficou no coração de seu aluno quando ele já esqueceu todos os outros, disse certa vez o editor de educação do New York Times. Muito significativo festejar o dia da Criança próximo ao dia do Professor. Um é prolongamento do outro, não há professor sem criança e criança feliz sem o afetivo e efetivo convívio escolar repleto de alegria, eficiência e encanto. Eis a questão! Os modelos pedagógicos vigentes atendem às urgências da sociedade da informação e as carências da formação humanista que o momento exige? A escola está empenhada na formação do cidadão ético ou apenas em formar vencedores para o mercado onde vale tudo ou à política onde só é feio perder? Nas recentes avaliações do Enem as escolas particulares alcançaram os primeiros lugares. A questão é: essas escolas estão apenas reproduzindo o conhecimento ou estão de fato ensinando o aluno a criar o conhecimento, preocupadas com a formação cidadã? Na verdade, não se consegue alguma eficiência sem algum rigor e disciplina tática. Ninguém ganha jogo sem equipe forte e camisa molhada. Depois do paradigma elementarista do século XIX, depois do paradigma estruturalista ou construtivista do século XX, vivemos desde 1986, segundo Edgar Morin, o paradigma da complexidade. A crise, o conflito e o desequilíbrio não devem significar inércia, mas oportunidade de renascimento. A escola e os professores estão diante de grande desafio, sempre estiveram, é urgente recriar a escola. Embora aqui ou ali ela renasça segundo a pedagogia da ternura. Porém, como disse Antonio Machado: “Caminhante, não há caminho; caminho se faz ao caminhar”. A História da educação está repleta de extraordinários caminhos onde o educador se encanta com as revelações da pedagogia e inteligência dos mestres que descortinaram caminhos na arte de ensinar. Mas já sabemos, não é a infraestrutura da escola que faz a qualidade do ensino. Aluno sem auto-estima rejeita a escola. Uma escola de qualidade, antes de tudo, é aquela que promove a auto-estima de seus alunos e os estimula à difícil tarefa dos estudos. Primeiro acolhendo-o com carinho, encorajar é preciso, valorizando sua identidade. Jogar matéria na goela do aluno não é ensinar, sequer educar. Os mestres devem parar de repetir que a educação vem de casa; pois, na verdade, eles fazem parte dessa casa, uma vez que os filhos estão entregues às mãos de pedagogos, aqueles que ensinam inclusive civilidade. As escolas devem possuir projeto envolvendo o seu coletivo para o ensino de valores ou virtudes humanas, com participação das famílias e mesmo da comunidade, o respeito ao próximo, a justiça, a honestidade, a ética, a responsabilidade, a amizade, o companheirismo, a tolerância, a temperança, o estudo como trabalho. Ou a escola reconhece essa tarefa ou atos de violência e desrespeito serão sempre crescentes. Mas não se faz isto sem exemplos. Eu disse recentemente a professores de História, em reunião promovida pelo Núcleo Regional, que a Educação Física deve liderar o esforço pela qualidade da educação. Pois essa área pode assegurar autoconfiança ao aluno na medida em que ele adquire habilidades motoras e cognitivas em sua urgência lúdica e começa a acreditar em si mesmo. E ainda porque devo crer com paixão que minha área é relevante. Mas gostaria de ouvir deles, é a História que poderá alcançar esse objetivo, mostrando o passado no presente e assim revelando a visão de mundo e preparando o jovem para a consistência de sua humanidade; como gostaria de ouvir do professor de Língua Portuguesa que é o domínio da escrita que poderá de fato elevar a confiança e construir domínios humanos. E a Geografia, a Matemática, a Educação Artística, o Ensino Religioso, a Sociologia, a Biologia, a Física, a Química, a Filosofia em suas revelações de vida em abundância e riqueza plena do universo, nosso paraíso abundante de obras primas. A escola deve ser, antes de tudo, espaço mágico de sabedoria que encanta e das descobertas que fascinam. O professor deve ser esse heroi que torna repleto o vazio, ausências que não enriquecem o espírito e a alma da criança e do jovem. No caminho da criatividade escolar. Longe do fragmento da linha de montagem, não haverá chefia, mas liderança e todos aqueles que exercerem funções na escola serão educadores preocupados primeiro com o projeto de vida da escola e não apenas com o seu projeto individual de vida na escola. A família e a comunidade devem fazer parte efetiva da gestão escolar, desde a Conferência Municipal de Educação (que ainda não existe aqui) capaz de avaliar e definir metas gerais, APMF, Conselho Escolar, Círculo de Pais (que ainda não existe aqui) atuação mais ampla, envolvendo a sociedade, eis o caminho. O projeto das Cidades Educadoras seria oportuno na mobilização das comunidades para ações educativas e apoio à educação. A nova escola deste início de milênio deve ter permanente envolvimento criativo. Os professores agora têm alguma autonomia. Mas, sem gestão de qualidade, na ausência do coletivo, eles não fazem, apenas sofrem a história. O trabalho do professor, para alcançar êxito, sempre significou doação, renúncia, paciência, dedicação, estudo permanente, energia, entusiasmo, amor a crianças e jovens. Sem esquecer o eros, como Platão ensinou há tanto tempo, segundo Edgar Morin, o eros não é somente o desejo de conhecer e transmitir, é ainda o amor por aquilo que se diz e do que se pensa ser verdadeiro. É o amor que introduz à profissão pedagógica a verdadeira missão do educador. Significa, antes de tudo, valorizar-se, buscar o cânone educativo, que em literatura significa alcançar o reconhecimento público de competência. Só assim será valorizado socialmente. E, quando o país tiver política salarial menos selvagem, de nação civilizada, financeiramente. Na visão do aluno o professor é o seu modelo. A professora, na face da ternura, o perfil de anjo ou fada simultaneamente. Educador é aquele que tem luz própria para abrir e iluminar caminhos. Assim, antes da valorização externa, deve valorizar-se, sendo lúcido, altivo, forte, competente, confiante mensageiro da esperança e de saber multidisciplinar. Não basta ser professor, é preciso ser educador. Educar, do latim, educere, significa revelar a essência. Ser educador é privilégio. A tarefa do educador é humana e ao mesmo tempo, divina, em seu poder de despertar em cada aluno a magia da beleza e a vida plena de afeto, consciência e humanismo.
Parabéns, Professor! Você é, pela própria natureza, antes de tudo, um forte. Se apaixonado em seu trabalho de educador, para sempre seja louvado.
José Maria Orreda
Publicado na edição 590, em 11 de setembro de 2011
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