Espírito da Pátria, de um povo heróico, o brado retumbante, a formação o comportamento ético, a liberdade como valor de cidadania.
Liberdade – essa palavra
que o sonho humano alimenta
não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda!¹

Desde os primeiros tempos e durante o período colonial, índios, negros e europeus souberam repelir todas as tentativas de intrusão e rebater todos os perigos que viessem do exterior na defesa da terra com o mesmo ardor que se defende o lar e se salva o patrimônio sagrado².
Gerou-se na alma do povo em formação um forte sentimento do próprio valor, o espírito da pátria foi sendo gerado em momentos de manifestações coletivas, primeiro com a expulsão dos franceses, depois dos holandeses (1624/1654); com a Revolta de Beckmann, no Maranhão em 1684; a Guerra dos Emboabas (1708/1709); Guerra dos Mascates (1710/1711); Revolta de Felipe dos Santos (1720); Inconfidência ou Conjuração Mineira em 1789; Conjuração Baiana em 1798; e Revolução Pernambucana em 1817. Estes três últimos movimentos com objetivo de suprimir o domínio português e proclamação da República, a coragem de enfrentar o poder dominante em busca da liberdade. Entre todos esses momentos que merecem ser estudados e conhecidos, na luta pela expulsão dos holandeses, deveriam ser matérias escolares relevantes, as duas Batalhas de Guararapes, a semelhança de Termópilas, extraordinários feitos de bravura, amor à terra, competência, ações repletas de heróis. Guararapes, (1648/1649), liderança de índios, negros e brancos, o tripé étnico da nacionalidade. Nelas o heroísmo do índio Antonio Felipe Camarão, do negro Henrique Dias, dos patriotas João Fernandes Viera, Francisco Barreto, Antonio Dias, André Vidal; índios negros e brancos, bravos soldados em defesa da pátria. Batalhas que enriquecem a história militar do Brasil³ e revelam o destemor do povo em formação. Os espanhóis já haviam jogado a toalha na luta pela reconquista. Os espanhóis, sim os espanhóis, que no início detiveram esse comando, pois entre 1580 e 1640 o rei de Espanha era o mesmo de Portugal, período em que vigorou a União Ibérica. Então os brasileiros assumiram a liderança da luta sem atenções aos interesses da côrte. No episódio da Conjuração Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, enforcado em 1792, pertenceu ao grupo dos ativistas. Ele queria com a República, a libertação dos escravos, o que alguns do grupo dos ideólogos e dos magnatas não desejavam. O sacrifício de Tiradentes não foi em vão. Liberdade, mesmo que tardia. Essa terra tem dono, disse o índio Guairacá. Os exemplos de falta de ética, ganância, individualismo e traição, abundantes na história e realidade política desta nação, não edificam, apenas corrompem e aniquilam o espírito da pátria. Mas quem sinta a necessidade de firmar-se, por si e pela tradição humana em que existe; quem não se contente em ser matéria informe, para o gozo exclusivo de exploradores; e queira concorrer para o desenvolvimento de um grupo humano, aspira definir e apurar a sua tradição nacional; será nacionalista, pretenderá que sua pátria não suplante ninguém, preferirá que ela se levante ao sol de uma humanidade bem humana, em plena justiça; mas há de querer que ela tenha um lugar próprio sob a luz desse mesmo solo (4). Uma nação se torna soberana, independente, forte e livre pelo altruísmo de seu povo, no sentimento coletivo de igualdade, justiça, paz e fraternidade; pela força do heroísmo daqueles que sacrificaram a própria vida pelo bem comum; pelo sonho do bem-estar para todos, sem exclusões que não edificam a fraternidade, pelo orgulho de pertencer à pátria e decisão de ajudar a construí-la. O espírito da pátria está na alma do povo honrado, íntegro, soberano, solidário e fraterno.
José Maria Orreda

1. Cecília Meireles, Romanceiro Inconfidência. 2. Rocha Pombo, História do Brasil; 3. Southey, historiador inglês; 4. Manoel Bonfim, escritor.

 
 

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