Sim, evidente, é momento de emoção e encanto. Muitas crianças que nunca foram, não estão voltando, mas vão plenos de receios e plenas esperanças. Um momento de poesia, de vida plena e abundante. E a principal tarefa deste encontro é o acolhimento com alegria, animada pelo eros, que é, segundo Edgard Morin, smultaneamente, desejo, prazer e amor, desejo e prazer de transmitir, amor pelo conhecimento e amor pelos alunos.
Então, pois, escola sem poesia já não é escola, Escola sem poesia não acolhe, se encolhe diante da alma da criança que descobre a vida e se encanta com o mundo.
Ainda nos anos 1960, eu disse em uma reunião de professores, que na minha escola, dois temas seriam fundamentais: a poesia e o judô. A poesia capaz de ensinar a linguagem criativa, ver e entender, além do domínio da palavra escrita, enxuta, meio de pensar com clareza e falar com eficiência. O judô para tornar a criança e o jovem fortes antes de tudo, pois apenas o fraco precisa agredir.
O sonho da poesia na escola tornou-se realidade a partir de 1996, através de pequenas ações do Núcleo Regional de Educação e grande devoção e competência da professora Dorotéa Iantas Miskalo; e apoio das escolas, com a poesia haicai não apenas em Irati, mas da região, que se tornou referência desta modalidade no Paraná. E destaque nacional e mesmo internacional.
Mais recentemente encontrei alguma literatura referindo-se à Revista francesa Cahiers Pédagogiques, que destinou alguns números ao estudo da poesia na escola. Num deles, os mestres franceses argumentam a favor desse procedimento: 1. A poesia é importante no mundo moderno, tão materialista e tão ferido; 2. É uma abertura a beleza; beleza das ideias, das palavras, dos seres; 3. É um dos ramos mais ricos do ensino, porque dá o gosto do ritmo e da beleza da língua; 4. É a liberação da imaginação e da criatividade; 5. Possibilita a tomada de consciência da dimensão ao mesmo tempo libertadora e lúdica da linguagem, descoberta dos níveis da língua. Outras opiniões. Este ensino é necessário porque a poesia sugere, revela e, para retomar a palavra de Eluard, ela faz ver; ainda, porque toda composição poética tem uma dimensão ética de que nós temos a maior necessidade; é o meio de reajustar o homem ao seu destino de homem e lhe devolver o mundo quando este parecer perdido.
Que tal no plano de trabalho agora, na educação básica, a inclusão da poesia na escola como atividade permanente? Um festival de poemas e prosas, além da história, através de coro falado, com textos de Castro Alves, Gonçalves Dias, Júlia da Costa, Fernando Amaro, Jorge de Lima, Drummond, Bandeira, Cecília, Helena Kolody e outros desta legião de bons autores da literatura brasileira, além e principalmente de poetas iratienses e textos dos próprios alunos e professores. Se houver dificuldade, chamem para uma oficina a professora Lydia Rocca que sempre enriqueceu as aulas de língua portuguesa no Colégio São Vicente com essa modalidade, o coro falado. Com história nos Jogos Sócio-Culturais.
Mas por favor, não repitam o que já vi numa escola de Irati: no dia do centenário de nascimento de Carlos Drummond de Andrade, nem uma palavra sobre ele e sua obra. Mas as cinco aulas do dia suspensas para comemorar o dia das bruxas! Uma educação alienada não produzirá senão alienação. Educar bem significa educar para o bem, os valores humanos presentes em todas as dependências da escola, a poesia como aura e impulso à espiritualidade.
José Maria Orreda
Publicado na edição 606, 15 de fevereiro de 2012.

 
 

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