Os sinos da geada iluminavam o verde dos campos e a neblina, apenas detalhes da paisagem na primeira luz da aurora. Eram duas estradas, de leste no sentido oeste, do mesmo ponto para alcançar do início ao fim do território. Uma carroça carregada de feno, os cavalos pareciam fumar, muito inteligentes apenas pareciam, o menino de chapéu de palha, a menina sorrindo, a mimoseira carregada, a laranjeira faceira & altaneira, os sanhaços no abacateiro, os pessegueiros em flor. Depois de Pentecostes o tempo comum. Dois anjos com os olhos vidrados de tanta ternura. Os tempos da batatinha plena e do feijão abundante iam longe. A economia local dominada pelos serviços. Súbito a urgência de recriar tudo como de verdade tudo renasce sempre. Nas margens dos dois caminhos e seus sagrados vicinais, uma nova geração de homens e mulheres de trabalho, repletos de fé, agasalhados de confiança no milagre da terra, na aura divina, articularam um pacto de renovação, transformar esse vê de vitória em vitória de todos. Primeiro a água em açudes de peixes e espaços de lazer, urgente as matas ciliares e áreas de preservação permanente. Num país de pais heróis e mães heroínas, todos pensam em seus filhos, netos, bisnetos e futuras gerações; solidários ao presente, respeito ao futuro. Os predadores vivem em vão, sem anseios, sem destino. Quem respeita a terra não é egoísta, tem o coração que pulsa afinado ao coração da terra. Junto a esses novos santuários, rústicas pousadas, chalés e áreas de campings. Árvores frutíferas de diversas estações, em especial as parreirais, eis os vinhos e conservas; uns criando galinhas caipiras, outros leitões, produção de ovos e embutidos, bolachas e mel, hortaliças, frutas secas e geléias, além de artesanatos, colchas, rendas e bordados de encher os olhos de qualquer caboclo de fato, direito e respeito. O retorno à tradição dos extraordinários fazedores de vinho de Pirapó, Bom Retiro, Colônia, Rio do Couro, cercanias da cidade e tuti quanti, seguindo ou segundo o bom exemplo hoje de Pinho de Baixo. No lazer, o resgate da economia primária local e quiçá municipal. Invente-se um provérbio. Se o homem do campo vai bem o da cidade ri à toa! a toa com ou sem crase. Os alemães já disseram isto. As festas religiosas de Itapará, Guamirim, Cêrro, Colônia, Rio do Couro, Pinho, Cadeado Santana e por que não de Pinhal Preto, Água Clara, se quiserem Taquari, Pirapó, Vila e todas as outras no calendário do turismo nativo. A grande arrancada teria início com o tanque de peixes em Guamirim que o Prefeito prometeu, você lembra? Pois, a vida renasce a cada dia, a cada ano, a cada eleição, a cada chuva, cada missa, a cada olhar, no coração de cada cidadão ou de todo cristão que se consagra em todo momento que começa um novo sonho, o sonho que deixa os lábios doces e o coração apaixonado. Parabéns Irati agora e sempre, enquanto você, na permuta de amor, inspirar seus filhos à vontade de sonhar. Quanto vale um pacote de sonhos? Não se mixe povo bom deste rincão! Façam vaca indiada e pisem firme que o chão é nosso, já dizia o Maneco Facão. Aleluia.
José Maria Orreda
Publicado na edição 577, em 13 de julho 2011

 
 

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