Com a urbanização, as cidades têm cada vez mais o seu solo sendo coberto por pavimentos, calçadas e obras. Cada vez mais nas obras, as áreas de solo exposto, seja com jardins ou áreas de lazer com grama, vêm diminuindo.
O solo exerce papel fundamental no escoamento superficial da água, pois ele a absorve, e sua superfície rugosa reduz a velocidade de escoamento da água. Aliado à vegetação, ambas desempenham um papel muito importante para evitar a erosão, e ainda diminuir a velocidade e tempo com que a água da chuva demora a chegar aos cursos de água.
Com a urbanização, o solo fica impermeabilizado: a água, que normalmente infiltraria no solo, demorando horas e até dias para chegar aos cursos de água, passa a integrá-los em poucos minutos, causando aumento rápido do nível da água, catalisando e aumentando a incidência de alagamentos.
As cidades acabam comportando-se como uma imensa área de captação e concentração de água das chuvas. Onde os rios estão mais confinados, a tendência é que os alagamentos ocorram.
Sem dúvidas, este fato é um dos principais agentes causadores de inundações. A solução para elas é muito difícil e cara. Além disso, envolve ações públicas e particulares.
Existem estudos sobre asfaltos porosos, que deixam a água drenar, diminuindo este problema. Porém, isoladamente não soluciona estes inconvenientes. Cada vez mais, os alagamentos devem aumentar. Devido a este fato, alguns tipos de obras, como piscinas, podem reduzir este efeito. Porém, sempre há questões de ordem financeira e mesmo de espaço físico para isso.
Embora seja um problema grave, e que acontece em todas as áreas urbanas, esta ainda tem importância secundária. Na maioria das vezes, é desconsiderada no uso e ocupação do solo.
Marcio Kazubek

Publicado na edição 604, 01 de fevereiro de 2012

 
 

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