Penso que se vivo fosse, Stanislaw Ponte Preta – na verdade o jornalista Sergio Porto – poderia escrever (e acredito que escreveria) mais um livro chamado FEBEAPA, na época Festival de Besteira que Assola o País. Só que, agora, “Festival de Bandalheiras que Assola o País”. Certeza de uma coisa eu tenho: material e matéria não faltariam. Penso que não haja necessidade de relembrar aqui e agora assaltos (ou tem outro nome?) e autores e/ou mandantes do que a imprensa – mídia é outra coisa – nos mostrou até agora. Houve uma época em que a palavra de ordem era “eu não tava/não vi/não sei de nada. Hoje está em vigência “eu não sabia que não sabia”; “você (ou a Sra. dependendo do momento) prefere acreditar em mim ou no que os seus olhos estão vendo?”, com variação para “esse na escada do avião não sou eu”. E nós indignamos, repassamos e-mails, falamos mal e na ponta final somos os responsáveis por essa escumalha estar aonde está, ou não? Nós votamos nessa gente e nos seus iguais. Nós elegemos vereador, prefeito, deputado, senador, presidente da República e damos-lhes o direito de – atenção – em nossos nomes, queira você ou não, fazerem o que fazem. Ou to enganado de novo? No fundo, somos nós os promotores, ou melhor, responsáveis, pela absolvição de gente que aparece em televisão metendo a mão na grana do alheio (no nosso bolso) e sendo inocentada pelo resto da quadrilha. Somos nós os patrocinadores dos bandos. Somos nós que elegemos os artistas de circo, cantor de pagode e jogadores de futebol e depois queremos o que, berrar? Entendam, nada contra aquela velha história de cada macaco em seu galho, mas cada macaco em seu galho, ou tenho que desenhar? Temos que acabar com a história de querer fotografia ao lado de politiqueiros, de tapinha nas costas, de levar prá compadre; esses caras estão onde estão por obra e graça do eleitor que é quem paga os seus salários, logo, seus patrões. Essa gente foi eleita por ter assumido um compromisso com a população, prometeu projetos e briga por obras, por alternativas e temos que vigiá-los, fazê-los cumprir suas promessas porque e são regiamente pagos por isso. Antes do resumo da ópera, é bom deixar claro que não há a intenção de reunir, indiscriminadamente, políticos e Políticos. A gente sabe que existe gente honesta no meio, mas não é desses que falo, falo de maus políticos, da escória mesmo, desses a quem o próprio partido – ou parte dele – pede para que, no mínimo, em nome da moral e dos bons costumes, pegue o seu boné. Por falar nisso, ano que vem tem eleição. Vamos deixar de ser responsáveis, né?

Marco Leite
Publicado na edição 596, de 23 de novembro de 2011.

 
 

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