Semana passada, tivemos um belo exemplo de com funciona uma sociedade dentro de um regime democrático pleno, ou quase. Aquele fuzuê provocado pela tentativa de fazer descer goela abaixo uma lei quase votada no congresso americano, desencadeou uma série de protestos liderados por redes sociais que, em menos de 24 horas, fez reverter a proposta de apreciação da lei e colocou “a favor” do veto da proposta antigos simpatizantes dela. Isso lembra uma outra história bem parecida, só que com parte dos atores diferentes. Existe uma associação nos EUA, a AOPA – Aircraft Owners and Pilots Association -, ou, Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves, que reúne milhares de associados. Tentou-se votar uma lei que dizia respeito à aviação civil de lá, mas o pessoal diretamente envolvido, pilotos e proprietários, não haviam sido consultados. Em menos de 24 horas, também, houve uma mobilização contra a medida que incluiu um aviso nada amistoso aos proponentes: “essa coisa volta prá gente ver direitinho, ou acertamos na próxima eleição”. Tava resolvido o problema. Recebemos, todos os que lidamos com correio eletrônico, quase que diariamente reclamações e conclamações para participarmos de correntes que nunca deram em nada. São propostas de insurgência contra o preço da gasolina, carros, aluguel, governo e mais uma série de alvos que caem no esquecimento pura e simplesmente. Na verdade, penso que não se leva nada a sério, vejamos: quantos tributos existem para, por exemplo, conservação e construção de rodovias? Alguns né? Pois é, e onde vai parar essa grana? Tempo atrás tivemos um ministro destituído exatamente por não saber explicar prá onde ia o dinheiro, e fizemos o que? Nada! Tão tá. Imaginemos então, os verdadeiros atingidos pelo descaso no setor, os motoristas que precisam de estradas, resolvendo arrumar a situação de uma maneira menos cavalheiresca, parando de transportar. Ou arrumam as estradas ou a gente continua em casa. Mas quê! É nessa hora que eu pergunto, aonde andam os sindicatos que representam a área? Pega aí o pessoal da aviação. Passam bovinamente comendo na mão do patrão 358 dias por ano, aí quando chega o fim do ano armam um fuzuê pedindo reposição salarial e mais um monte de benefícios que dizem que tem direito. Ameaçam uma parada geral no Natal e fim de ano, aparece uma meia dúzia de gatos pingados em saguão de aeroporto, dos 45% solicitados aceitam 10%, e prá frente a gente vê. Então, cara-pálida, ta aí a receita, a matriz mostrou outra vê como se faz. Já vi um monte de insurgentes por aqui aplaudindo, mas só aplaudindo. E a coisa vai continuar do jeito que tá, enquanto não aprenderem a passar do aplauso e do exercício de se conformar em ser vaca de presépio.
Marco Leite

Publicado na edição 603, 25 de janeiro de 2012

 
 

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