O peso da inflação no bolso dos brasileiros
Colunas / 15 de fevereiro de 2012 15:20
Todos os meses, às vezes semanas, ouvimos, lemos ou sentimos algo sobre aumento de preços de produtos ou serviços. São fatos que nos deixam mais pobres, se não tivermos um seguro, tais como reposição dos rendimentos do trabalho, aplicações em ativos financeiros ou fixos que se mantenham na mesma magnitude do aumento dos preços dos bens e serviços que consumimos estaremos sofrendo perdas não repostas, o que leva a uma diminuição em nossa riqueza. Muitas pessoas, quando escutam que a inflação do mês passado foi, por exemplo, de 1,0% imaginam que elas sofreram uma perda nesse mesmo percentual. Será que essas pessoas estão certas? Será que a inflação de uma pessoa é igual a de todas as outras pessoas? Qual o peso da inflação no bolso do brasileiro?
Existem vários modos e formas como as informações sobre variação de preços são coletadas e calculadas. Entre os vários índices de preços, os dois mais conhecidos são o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Ambos são medidos pelo IBGE e possuem a mesma abrangência territorial, embora exista diferença entre o público-alvo. O IPCA, que é o índice que o governo utiliza para medir a inflação oficial, abrange a cesta de consumo de famílias com rendimentos de um até quarenta salários mínimos e o INPC objetiva medir a variação de preços das famílias com rendimentos entre um e seis salários mínimos.
Ambos os índices são produzidos a partir de dados coletados no comércio e nas empresas prestadoras de todos os tipos de serviços relevantes para medir a variação de preços de uma pessoa típica pertencente a um dos dois grupos de pessoas. Essas coletas são realizadas nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte, Belém, Porto Alegre, Curitiba, Brasília e na cidade de Goiânia. Com os dados coletados dos preços dos produtos e serviços, os técnicos utilizam programas que calculam a variação do índice no mês na região considerando o peso de cada um dos produtos ou serviços na cesta de consumo do público alvo de cada um desses dois índices. Assim, cada uma das regiões pesquisadas pode ter índices de inflação diferentes. Primeiro, porque a variação de preços de cada item pode ser diferente; segundo, porque o peso de cada grupo de produtos ou serviços pode ser diferente de região para região.
Os pesos de cada um dos produtos na cesta de consumo das famílias são obtidos por meio da Pesquisa de Orçamento Familiar (POFA). Até dezembro de 2011, o IBGE utilizava os pesos obtidos na POFA realizada em 2002 e 2003. A última POFA foi realizada nos anos de 2008 e 2009. A partir do mês de janeiro de 2012 os dois índices serão elaborados levando em conta os pesos nas cestas de consumo obtidos na última POFA. Como os públicos são diferentes, os pesos para os dois índices são também diferentes. Os pesos são calculados para cada uma das regiões e, para o país, são obtidos pela média ponderada de todas as regiões. Assim, é possível medir o peso de cada grupo de produtos ou serviços para o país considerando os dados coletados nas regiões mencionadas acima.
Para o IPCA, a alimentação tem peso 23,12%; habitação, 16,87%; vestuário, 6,7%; transporte, 20,54%; saúde e cuidados pessoais, 11,09%; despesas pessoais, 9,94%; educação, 4,37%; comunicação, 4,96%.artigos de residência, 4,66%. Para o INPC, evidentemente, os pesos são diferentes: alimentação tem peso 28,27%; habitação, 16,86%; vestuário, 8,15%; transporte, 17,30%; saúde e cuidados pessoais, 9,67%; despesas pessoais, 6,90%; educação, 2,78%; comunicação, 4,41%, artigos de residência, 5,62%.
Como dito acima, os pesos variam de região para região, mesmo considerando pessoas com igual perfil de renda. Assim, é bastante claro que a inflação calculada mensalmente muito dificilmente coincidirá com a nossa verdadeira inflação. Essa inflação calculada por meio dos índices de preços é uma média, nunca a inflação de uma pessoa individual. A inflação de uma pessoa certamente é diferente do seu vizinho. Duas pessoas terão a mesma inflação se elas rigorosamente consumirem os mesmos produtos e serviços nos mesmos montantes, coisa um pouco rara de acontecer. De qualquer forma, o que as pessoas devem fazer é ficarem muito atentas e verificar o quanto os produtos e serviços que consomem aumentaram de preço. Se verificar se algum dos itens da cesta de consumo aumentou de preços, um indivíduo deve trocá-lo por outro. Se isso não for possível, então deve proteger o próprio patrimônio obtendo aumento nos seus rendimentos que sejam suficientes para cobrir essa perda causada pelo aumento de preços.
Francisco Castro – Economista
Publicado na edição 606, 15 de fevereiro de 2012.
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