Fico nessa agonia das coisa por fazê i que não se fazem por si. Que locura dos tempo moderno que cada vez que tecnologificam mais as coisa mais fila as pessoa tem quinfrentá. Que merda essa coisa de ter que isperá tanto pra fazê qualquer coisinha? Fila nas lotérica; fila nos banco; fila pra pagá; fila pra recebê; fila pra imprestá; fila pra dá, as coisa que tão trancando canto; fila pra ser atendido no dentista do SUS; fila pra furá fila; fila pra luta; fila da luta. Sabe duma coisa? Vô ligá pro seu Róbis i vê sele tem alguma idéia pra melhorás as coisa pro ano que já tá istorando…
- Bom diaaaa! Você ligou para mim! Se for para falar mal dos políticos tecle 1. Se for para falar bem, desligue o telefone!!! RÀ RÀ RÀ Após o próximo RÁ RÁ RÁ, deixe seu recado porque agora não estou em casa e quando voltar eu retorno. RÁ RÁ RÁ…
- Seu Róbis? Já voltô? Intão retorne. Credo, nem consigo imaginá como cocê se formô. Devem de ter te passado de dó. “Quando voltá retorno!!!” Ninguém merece, muito menos eu.
- Alô, Dona Merislawa? Sou eu. A senhora está na linha?
- Não, tô no espaço. Claro que tô na linha. Se acabei de fala procê dos achamento de terem te passado de dó é porque tô na linha! Ademais…
- Ademais a senhora gostou da mensagem?
-Que mensagem?
- A gravação que deixei no telefone.
- Puis é disso queu tava falando! Quando…
- Quando cheguei e tive o privilégio de ouvi-la assim, sempre tão espontânea! E que bom que a senhora ficou enrolando ao telefone, pois eu estou morrendo de saudade e aproveito para desejar-lhe um ano novo repleto de grandes e boas realizações. Que tudo se rea…
- Credo seu Róbis. Como que pode ter tanta tonguice numa pessoa só?
- Como assim?
- Eu assado.
- O quê?
- Nada… nada… vamo proquê interessa. De verdade eu te liguei mesmo pra te desejá um ano novo muito melhor do que o que o que termina. Procê qué meu amigo eu desejo só coisa boa. I pros meus nimigo eu desejo que se arrebentem, porque se são meus inimigo tem que se arrebentá mesmo.
- Mas a senhora nem parece ter inimizades.
- Nem pareço, mais tenho. I bem mais do que gostaria.
- Sério? Sempre achei que a senhora…
- Achô nada, seu Róbis. Não carece de ser mentiroso. Das muita verdade que ninguém diz, porque tem medo de í pro inferno, uma das que mais fica arrebentando a consciência é essa, de vê os coisa rui tudo sisplodindo.
- Como assim?
- De novo o como assim? Eu assado! Assim, as pessoa tem um monte de vontade de dizê pro outro monte de pessoa que vão catá coquinho in veiz de fica ingirizando as existência alheia. Essa politicarada que fica só saproveitando da população i mais ainda dos ignorante que continua votando neles. Essa caterva de aproveitad que faiz da atividade política uma má^quina de manipulá ao destino das pessoa. Essa gentarada toda que fica assim, parece que grudada na ropa das pessoa como que insistindo pra não avança. Essas pessoa toda que, nas amargura dos descrençamento das coisa, parece insistí in ser infeliz. Isso tudo quessa lazarentada que parece que fica segurando as pessoa no pântano infeliz das amargura só pra compensá as própria amargura. Gente que fala por falá i que não sustenta o que diz. Essa laz…
- Desculpe amigona do meu caração, mas vou ter que desligar. Estão batendo no portão.
- Nem carece pidi desculpa, seu mintiroso duma figa. Pensa queu não sei cocê tá nas bombinha i que deve de tá loco pra inchê a cara vendo aquele marzão mais lindo do mundo? Só quero aproveitá pra te desejá ca vida te dê em dobro tudo o que ocê me deseja sempre.
- Ah! Não tenho dúvidas. Desejo que a senhora acerte três dezenas na mega da virada. Beijo!!!

Robson Miguel Camargo
Publicado na edição 601, 27 de dezembro de 2011.

 
 

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