Na lentidão do alento a redundância das alegrias
Robson Miguel Camargo / 26 de janeiro de 2012 14:40
Quarta-feira, início da tarde, consulto o correio eletrônico para saber se fui, finalmente, contemplado com uma boa notícia de premiação por sorte ou merecimento. Desolado, confirmo que nem uma nem outro. Não faz mal, penso. Um dia as coisas vão mudar, E quando isso acontecer, sabe o que vai acontecer? As coisas vão mudar. Enquanto isso, na mesmice das coisas não mudadas, vamos levando ela que nos leva. Ôpa, ôpa, ôpa… O que temos aqui? “Prezado, normalmente não gosto do que você escreve. Normalmente, porque algumas vezes gosto menos ainda. Já lhe sugeri em outros momentos, assim, no plural, acabar com essa coisa que a mim chega como um dos maiores absurdos que podem acontecer, num espaço que deveria ser para a expressão de algum ponto de vista; uma referência; uma contribuição para o engrandecimento da informação ou do conhecimento, não necessariamente nessa ordem. Mas não; essa, permita-me referenciar assim, “coisa merislawiana” que incomoda um monte, no absurdo dos absurdos aparece pior do que normalmente aparece. É a filosofia confirmada da coisa piorada. É… o que pode ter de tão ruim assim? O que pode ser de tão ruim assim? Veja: afundou o Costa Concórdia; o Barack está pedalando para reconquistar o eleitorado; a Dilma alcançou um índice de aprovação maior que o Lula no primeiro ano do seu segundo mandato!, que era, até então, o maior da história recente desse país!; a zona do Euro virou uma zona! e tantas outras zonas ficaram mais zonas ainda!; os governos estão maquiando contas para aprova-las e quando a maquiagem sai ou borra ninguém se borra; a saúde para os competentes vai muito bem e para os incompetentes continua cada vez pior e o povo sabe da sua competência para escolher mas não sabe da sua incompetência para escolher (lindo isso, né? Sartre deve ter se revirado na catatumba). Há adestradores de aves raras dando-lhes de comer às mãos e adestradores de adestradores de aves raras dando-lhes de comer às mãos!; pense no que será do Irã quando a Europa (zona do Euro?) consolidar o boicote ao seu petróleo, como revanche pela não transparência aos processos de enriquecimento de urânio?; e, na contramão das aparências, pense no que significaria para a Venezuela se os Estados Unidos deixassem de comprar seu petróleo? e marque na folhinha isso; veja o que seria das emissoras de televisão que estimulam a denúncia do trabalho infantil nos intervalos das novelas que trazem personagens infantis; pense no tanto que se há para falar das coisas impossíveis de se ver, como por exemplo, a troca de prioridades de financiamento de estruturas de atendimento com recurso público; tanto das pistas de… de… de… de fórmula um, isso!; a fórmula um que trará de novo um Sena para mais uma tentativa de dar uma apimentada na atenção dos públicos que já estão se esquivando das manhãs de domingo por não aguentarem mais a mesmice que virou a coisa; e para se manter na linha esportiva, pense no tanto que se poderia falar das lutas com a brilhante narração do GB? Enfim, não havendo razão nem competência para dissertar sobre essas coisas, dê; ceda; passe; disponibilize o espaço para outro alguém, pode até ser eu, para escrever aqui. Mas por favor, não ponha mais a “coisa merislawiana” na evidência do espaço. Cara, “zevalá bais vêis”, “brizizam galguém singorage de dendá budá”, “buda berda”? Não, ninguém merece!
Pense com carinho! Com carinho, seu amigo.
Penso, da onça, assim, fêmea. Olho, penso de novo e fecho os olhos. O cara esqueceu de mencionar o acontecimento biguebroderiano que até capa de revista importante foi. Nem vou considerar… vou ligar para a Dona Merislawa e marcar um chimarrão.
Robson Miguel Camargo
Publicado na edição 603, 25 de janeiro de 2012
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