Otários, cúmplices e burros
Robson Miguel Camargo / 14 de setembro de 2011 15:53
“Otário: indivíduo tolo, fácil de ser enganado.
Cúmplice: pessoa que tomou parte num delito ou crime; pessoa que colabora ou toma parte com outrem em algum fato.
Burro: quadrúpede solípede; híbrido de égua com o jumento; … estúpido…” estão lá no Aurélio as definições. E me obrigo a ir busca-las para confirmar do que fui chamado. E o pior é entender que fui chamado e não xingado de tudo isso.
Quando ouço ou leio qualquer coisa na primeira pessoa do plural, entendo que, como ouvinte ou leitor estão expressando alguma ideia que traduz o meu pensamento. Da mesma forma, ao utilizar esse recurso para exprimir um pensamento individual, estou imaginando que o leitor partilha do mesmo raciocínio. Ponto.
Na semana da pátria, o 11 de setembro americano ganhou muito mais notoriedade do que o 7 de setembro brasileiro. E nem a pirâmide dos policiais motoqueiros em Brasília foi diferente. Eu imaginei que, por impactante que fosse, ao passar em frente ao palanque presidencial iriam catar o netinho presidencial e iam por no topo da pirâmide. Qual o quê! Tudo a mesma coisa de há anos!
Vou ao jornal que fechara a edição muito antes, vejo as notícias e comentários assinados sobre a otimização das turmas nas escolas estaduais e, pasmado, associo ao resultado do ENEM indicando que as pouquíssimas escolas públicas com resultados bons na última avaliação desse exame estão, de alguma forma ligadas a universidades federais.
Vou à TV e o comentarista político afirma, sobre o cenário político atual, que “somos cúmplices e burros”, porque permitimos isso acontecer. Ôpa, tão falando por mim!!! Mudo o canal e vejo uma manifestação na capital federal, justamente no 7 de setembro e uma faxona com a palavra OTÁRIO, assim, bem grandona.
Vou aos amigos e na prosa sobre cumplicidade, burrice e, otarismo?, ficou estabelecido que se pode ser otário e cumplice involuntariamente, mas que a burrice é uma consequência lógica do exercício da consciência. Ou seja, que pode-se ser otário e cúmplice sem o desejar, mas burro, só é quem o deseja. Porque ter confiança, esperança, num processo de definição eleitoral é uma atitude natural nas relações que se estabelecem entre o voto que se pede e o voto que se dá. Claro, descarta-se aqui a dimensão mercadológica do processo, afinal na discussão falava-se de ações humanas.
Alguém votaria num candidato que falasse que “se eu ganhar vou dar o lugar para outro, porque minhas qualidades técnicas e políticas serão aproveitadas em outra instância da governabilidade”. Ninguém votaria. Assim, se alguém foi eleito porque prometeu exercitar a autoridade em favor do povo e, de repente simplesmente cedeu o lugar para outro, por conta de assumir um cargo para o qual não foi eleito, automaticamente ignorou a força eleitoral que lhe deu o poder. Fez otários a todos os seus eleitores. Mas teve toda uma estrutura que consolidou o nome que, por si só, não obteria êxito. Teve um monte de outros nomes que não podem estar dissociados do processo, porque foram instrumentos de otarização (tornar otários) do eleitor.
Da mesma forma, alguém votaria num candidato que falasse que iria diminuir o número de turmas e aumentar o número de alunos por turmas? Alguém votaria num candidato que apresentasse o conceito de “otimização” para mascarar a “precarização” do ensino? Precarização mesmo! Sem disfarces! E nem precisa ser mestre ou doutor ou PHD em educação para entender isso.
Alguém votaria num candidato que pregasse a sucursalização da representação política?
Assim, na lógica da cumplicidade velada, alguém votará num candidato que anuncie a precarização do ensino; que na campanha fale abertamente que vai diminuir o número de turminhas empilhando mais criancinhas nas salinhas junto com as professorinhas para economizar e ter mais dinheiro para comprar giz e merenda? Não, ninguém vai votar num candidato assim, simplesmente porque nenhum candidato se apresenta assim.
No resumo da ópera, ser otário é ser enganado. Ser cúmplice, é ser enganado e não se incomodar com isso, afinal livrou-se uns litros de gasolina e comeu-se alguma linguiça. E ser burro… bom, ser burro, é permitir que isso aconteça tudo de novo. Como?
Salve! Filósofos proseadores.
Robson Miguel Camargo
Publicado na edição 586, em 14 de setembro de 2011
-
Procuradoria municipal derruba ação na ordem de R$ 65 milhões
-
Ex-ativista polonesa na Bielorrússia visita Irati
-
Carro oficial é flagrado realizando manobras irregulares durante madrugada
-
16ª KiwiFest movimenta cerca de R$ 2 milhões em negócios
-
Alunos de Rebouças protestam por reforma de escola
-
Cerca de 60 manifestantes protestam contra a desapropriação do CTG em Rio Azul
-
Câmara de Mallet apura denúncia de suposto superfaturamento em manutenção de ambulância
-
Zonado nos conforto
-
Relembrando o trânsito de Irati
-
Procuradoria municipal derruba ação na ordem de R$ 65 milhões
-
Ex-ativista polonesa na Bielorrússia visita Irati
-
Carro oficial é flagrado realizando manobras irregulares durante madrugada
-
16ª KiwiFest movimenta cerca de R$ 2 milhões em negócios
-
Par ou ímpar?
-
HENRY: Inácio é uma terra tradicionalista minha querida, lá o campeirismo deve predo...
-
HENRY: Inácio Martins tem muito potencial pra ser desenvolvido e gerar renda e progres...
-
Raquel: trabalho nesta empresa em MG, e o salario do operador especializado e de R$ 740,...
-
Alexandre: Eu gostaria de iniciar uma criação aqui em Portugal de cobra coral em estufas...
-
simone: se a yazaki fosse tao boa mesmo mandava embora quem tanto quer ser mandado embor...




Nenhum comentário
Seja o primeiro a deixar um comentário.