À medida que crescemos, o tempo parece nos deseducar: quanto menores somos, mais de perto queremos descobrir o mundo. Enquanto crianças, observamos as coisas mais de perto, tentamos alcançar objetos para exercitar nosso tato, levamos quase tudo à boca para sentir o gosto (mesmo que depois façamos careta por achar ruim), queremos sentir o cheiro das coisas. Olhamos para o alto, como quem quer alcançar o céu. Mas nos abaixamos e contemplamos o que de mais minúsculo estiver no chão.
Sem querer, nesse tempo estamos descobrindo o mundo e querendo entender como as coisas funcionam. Antes mesmo de entrar na escola, a criança já estabelece seu contato com o mundo através de perguntas, ainda que para nem todas elas se obtenha resposta. Mas o desejo de conhecer não deve jamais ser desestimulado, ou censurado.
Cada “por quê?” que uma criança pergunta, longe de satisfação de mera curiosidade, é o motor de um novo aprendizado. Não apenas cada novo ano letivo que se inicia, mas cada dia de aula, deve ser visto como um novo mundo que vai se desvendar diante dos nossos olhos, seja nos primeiros anos de alfabetização no ensino fundamental, seja no ensino médio, ou mesmo no superior – quando boa parte julga que cabe apenas aperfeiçoar um talento já descoberto.
Investir na estrutura e formação dos professores para incrementar o ensino público é uma necessidade cada vez mais evidenciada pelos gestores. Mas não basta melhorar indicadores: eles são variáveis. É necessário investir em qualidade na educação, pois o aprendizado é permanente.
Publicado na edição 605, 08 de fevereiro de 2012

 
 

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