A expressão do iratiense no final da tarde de sexta (09) era de pavor diante da intempestividade do clima, que rapidamente formou um dilúvio e ocasionou vendavais com intensidade de mais de 120 km/h, que removeram telhados, derrubaram árvores, interromperam a transmissão de energia elétrica, tornaram a comunicação por telefonia celular impossível e geraram uma série de transtornos não só na cidade de Irati, como também no entorno.
A população assistia pasma à transformação no céu: nuvens espessas tomaram conta da paisagem e o tempo se fechou de repente. Quem estava a pé na rua, ou à espera de ônibus nos pontos, precisou enfrentar em poucos minutos a chuva e o forte vendaval acompanhado de granizo. Bastaram alguns minutos para se criar um cenário de destruição e mais outros para se mobilizar a reparação.
Inúmeras famílias precisaram agir rápido para evitar maiores danos ao seu patrimônio, uma vez que a tempestade removeu muitas telhas das casas, expondo o interior das residências à chuva. No entanto, apenas uma família ficou desabrigada.
A cena, contudo, revelou a vulnerabilidade que a cidade apresenta para enfrentar este tipo de situação. Algumas delas, como o alagamento na Carlos Thoms, poderiam ser evitadas com a simples capacidade de prever esse tipo de fato. A construção de uma galeria que canalizasse o Arroio dos Pereiras poderia resolver a situação e impedir novos alagamentos na região do início da Munhoz da Rocha, em seu cruzamento com a Carlos Thoms.
Isso sem mencionar outros pontos de alagamentos recorrentes, como as casas à beira do Rio das Antas, que há anos esperam por uma solução. Ao menos desta vez, eles não tiveram suas casas inundadas. O período chuvoso do verão está para chegar e nenhuma providência efetiva para impedir novos desastres foi tomada desde os últimos alagamentos que aconteceram no meio deste ano.
Na mitologia grega, o Caos é o deus mais antigo do universo e está inserido na história de sua criação. No cotidiano de Irati, o caos está ligado à necessidade de reconstrução: a cidade precisa, urgentemente, adotar estratégias para impedir que novas catástrofes naturais venham a atingir os habitantes nestas proporções.
Publicado na edição 599, 14 de dezembro de 2011.

 
 

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