De férias na cidade, Tiago Machowski comenta as projeções e expectativas para o futuro profissional

O goleiro posa entre o primo, Felipe e a irmã, Cristiane, ambos jogadores de vôlei e o pai, Luiz Carlos, que o estimulou desde pequeno na carreira
Irati - Próximo ao encerramento do contrato vigente com o Grêmio, que se estende até junho, o goleiro Tiago Machowski visita a família em Irati durante suas férias, que vão até o final do mês. Com apenas 18 anos e 1,91m de altura, o jogador destaca as perspectivas profissionais para o futuro profissional, no momento em que recebe propostas de outros clubes – até mesmo do exterior – e negocia sua permanência ou não no time gaúcho.
Segundo ele, o fator de maior peso na determinação sobre a continuidade ou não do contrato firmado junto ao Grêmio será mesmo a questão financeira. “Meu compromisso hoje é com o Grêmio, até junho. Até lá tenho contrato com eles e agora a partir da renovação, estou conversando aqui com a família e meus empresários. Vendo a negociação financeira, até como vai ficar. Se der certo, eu continuo normal, trabalhando. Se não der certo, eu continuo no Grêmio até junho e, passada a data do meu contrato, já me transfiro para outro clube”, explica.
Tiago adianta que, se surgir uma oferta de outro clube que cubra a feita pelo Grêmio, ele poderá imediatamente se transferir para outro time, pois já está a menos de seis meses do fim do contrato. No entanto, ele afirma preferir aguardar até lá para decidir. O goleiro diz confiar em sua capacidade e, na eventualidade de não permanecer no clube, ele ressalta que “não é só o Grêmio que existe no mundo. Tem vários times que estão interessados também e quero continuar trabalhando forte para possivelmente ver se as coisas melhoram”, pondera.
Por outro lado, ele reconhece o bom aspecto do clube que o abrigou durante todo este período, ao avaliar a possibilidade de estender o contrato e permanecer no time. “O Grêmio é um clube bom, é um dos melhores do mundo. A estrutura é boa e já me acostumei também, pois já estou há três anos lá. Todo mundo já me conhece, meu lado pessoal já está formado lá, é como se fosse uma família. Me relaciono bem com todo mundo, tanto empresários quanto os demais trabalhadores”, destaca Tiago.
O ritmo puxado da rotina esportiva fez com que Tiago, no auge de sua adolescência – ele está no Grêmio desde os 15 anos – passasse apenas uns dois meses em casa, conforme estimativas próprias, ao longo desses três anos. Ele ressalta que, durante o período, foi estabelecendo relações de convivência com colegas e outros profissionais do Grêmio, que se tornaram uma segunda família.
Tiago comentou também a respeito das possibilidades e de sua expectativa quanto a uma provável escalação para integrar a seleção de futebol que defenderá o Brasil nas Olimpíadas de Londres, que acontecem neste ano. Ele demonstra confiança nessa probabilidade, pelo fato de já ter sido escalado no ano passado para a seleção sub-19, ainda que o goleiro César, do Flamengo, tenha ficado com o posto de titular.
Com relação às dificuldades em coordenar a vida pessoal com os compromissos profissionais, Tiago Machowski afirma já estar bem adaptado, uma vez que desde os 12 anos ele está na carreira esportiva, que o leva a constantes viagens que o distanciam de casa. “Depois desses três anos no Grêmio, a gente acostuma. Tem várias pessoas que ajudam, a família ajuda, empresário ajuda. E vamos aprendendo com os mais velhos e tentando administrar da melhor forma possível”, revela.
Entretanto, ele procura desmistificar a badalação e o glamour que muitos atribuem à carreira futebolística: “Pensam que, jogando futebol, surge bastante mulher, bastante festa. Mas não é bem assim. Cada coisa tem o seu lugar”, observa. Ele pondera que cada coisa tem a sua hora; mas mesmo assim, é possível encontrar espaço na agenda para tudo. “Não como uma pessoa normal, mas existe espaço”, reavalia.
Durante o mês, ele passa 20 dias viajando, em compromissos profissionais, e o resto com a família, em casa. Ele afirma que atualmente não está namorando e que está perto de concluir o Ensino Médio. “É difícil, é corrido e é sofrido, não é fácil”, desabafa.
Desde bem jovem morando distante de casa, Tiago expõe que nem por isso a família deixa de opinar em suas decisões profissionais e pessoais. “Tudo que acontece, eles opinam, mas nem tudo eles decidem, afinal não sou nenhuma criança mais. Apesar de sozinho, conto bastante com o apoio deles”, afirma.
A carreira do goleiro de 18 anos é administrada por dois grandes nomes do futebol nacional: Paulo Roberto e Taffarel. Tiago atribui grande confiança aos dois, também creditada pela família. “Tudo que sempre precisei até hoje, sempre pude contar com eles. E agora até nessa parte de contrato, da renovação, eles estão procurando ao máximo o melhor para a gente, para mim e para minha família. Estão tentando nos ajudar. Acho que vai dar tudo certo, pois eles são empresários, são do ramo, conhecem bem o mundo do futebol”, espera.
O goleiro indica que sempre recebeu grande apoio dos empresários, que na convivência do dia a dia sempre o auxiliaram em qualquer aspecto, mesmo em problemas pessoais, de fora do campo. “São pessoas assim que eu tenho que admirar, tentar ter como amigo pelo resto da vida, pois são pessoas que me ajudam, que não querem meu mal”, reconhece.

Perto do encerramento do contrato de três anos com o Grêmio, o atleta e seus empresários avaliam propostas de outros clubes
Família esportiva
Tiago faz parte da terceira geração de esportistas da família. O avô, que ele não conheceu, já era jogador de futebol. O pai, Luiz Carlos Machowski, também tentou a vida como goleiro, mas não conseguiu apoio da família. Dessa forma, Tiago diz que o maior incentivo a ser goleiro sempre veio do pai, que o estimulou desde cedo.
Luiz Carlos faz questão de ressaltar que, apesar de morar em Irati, ele se considera rio-azulense, pois a família do pai dele morou lá, até que viessem embora para Irati. Ele próprio e os filhos, pelas circunstâncias da época, acabaram nascendo na cidade de Rio Azul também.
O pai conta que observou que desde cedo Tiago demonstrava vontade e talento para jogar bola. “A irmã mais velha dele também teve carreira esportiva, só que ela jogava vôlei e também já foi para o exterior, quando teve uma passagem de um ano e meio pela Itália. Deixou uma entrada boa lá para o Tiago também”, comenta Luiz Carlos, ao considerar as propostas que o filho recebeu para vir, possivelmente, a atuar no exterior.
O ex-goleiro relembra que o filho começou sua vida esportiva na escolinha de futebol do Ico Ruva, pontapé inicial para muitos dos jogadores que despontaram na cidade. Aos nove anos, o menino já fazia 200 km por semana, conta o pai. Mais tarde, Tiago passou a jogar futsal em Ponta Grossa, para posterior retorno, numa oportunidade que teve junto ao Iraty, mas que durou apenas seis meses. Após esse período, a família o ajudou a buscar outros clubes, até que Tiago foi admitido no Grêmio. “Já fez lá o espaço dele, com mérito próprio, sem depender da família, mas com o próprio esforço”, orgulha-se Luiz Carlos, que ressalta que nenhum outro jogador da cidade de Irati já foi escalado para vestir a camisa da seleção brasileira.
Sobre a expectativa para a renovação ou não do contrato, Luiz Carlos acredita que tudo hoje gira em torno do aspecto financeiro e será necessário acertar o que é melhor tanto para o clube quanto para o atleta.
Texto: Edilson Kernicki, da Redação/ Fotos: Da Redação e divulgação
Publicado na edição 606, 15 de novembro de 2012.
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