O nosso maior patrimônio é a biosfera. Biosfera pode ser definida como o conjunto formado por todos os ecossistemas do planeta. A biosfera compreende desde o cume das mais altas montanhas até as profundezas dos mares. Ela é marcada de acordo com a presença de seres vivos.
Com a presença do homem nesse meio e, muitas vezes, de forma transformadora, a fraqueza da Biosfera se salienta. Contudo, essa faixa igualmente se mostra autorreguladora, ativa, possível de resistir, ou não, ao menos dentro de certos limites, às modificações do meio ambiente.
Temos todos que nos esforçar para proteger o nosso meio ambiente contra fatores que a tirem de seu equilíbrio e provoquem o desequilíbrio do mesmo. Por exemplo, o “aquecimento global”esconde fenômenos como: secas prolongadas que destroem safras de grãos, causam grandes inundações e vendavais, escassez de água, erosão dos solos, fome, responsáveis pela sustentabilidade do planeta.
O tema principal nem é defender a Terra. Ela se defende por si mesma e, se for necessário, nos excluindo de sua face. Porém, como nos preservarmos a nós mesmos e a nossa civilização? Esta é a real indagação que a maior parte da população negligencia, especialmente os que tratam de grandes empreendimentos, visando somente o lucro financeiro.
A relação entre a questão ambiental e a questão social é a base para uma vida melhor. Os problemas, tanto sociais como ambientais, devem ser tratados numa perspectiva integrada para realmente terem efeito sobre a qualidade de vida da população. Mais renda e mais consumo nem sempre são capazes de propiciar por si sós, uma melhor qualidade de vida e mais felicidade. Podem, eventualmente, até mesmo acelerar sua degradação. Inversamente, a simples preocupação conservacionista da natureza, sem uma sensibilidade social, aliada à incapacidade de apontar modelos de desenvolvimento sustentável, só pode agravar a miséria e abrir caminho a uma devastação ambiental ainda maior no futuro. Devemos procurar gerar trabalho e empregos de forma intensiva na preservação e recuperação ambiental e desenvolver novos setores da economia baseados em tecnologias limpas.
Para garantirmos uma produção, necessária à vida, que não estresse e degrade a natureza, precisamos mais do que só falarmos de meio ambiente. A crise é de conceito e não econômica. A relação para com a Terra tem que mudar. Somos parte dela e, por nossa atuação diligente, a tornamos mais consciente e com mais chances de assegurar sua vida.
Precisamos mudar nossa mentalidade, e isso significa um novo conceito de Terra, como meio ambiente. Ela não pertence a ninguém, mas a totalidade dos ecossistemas que servem à totalidade da vida, regrando sua base biofísica e os climas. Ela criou toda a comunidade de vida e não apenas nós. Nós somos sua parcela conhecedora e responsável. O trabalho mais pesado é feito pelos nossos parceiros invisíveis, verdadeiro proletariado natural, os micro-organismos, as bactérias e fungos que são bilhões em cada pedaço de chão. São eles que sustentam efetivamente a vida já há bilhões de anos. Nossa relação para com o meio ambiente deve ser como aquela com nossas mães: de reverência e agradecimento. Devemos devolver gratos, o que ela nos dá e manter sua capacidade de vida. Devemos mudar efetivamente nossos atos, de coração.
“Mudança de coração significa que além da razão instrumental com a qual organizamos a produção, precisamos da razão cordial e sensível que se expressa pelo amor à Terra e pelo respeito a cada ser da criação porque é nosso companheiro na comunidade de vida e pelo sentimento de reciprocidade, de interdependência e de cuidado, pois essa é nossa missão.” (Leonardo Boff – teólogo *1938)
Sem essa transformação não ultrapassaremos da vista curta de uma economia perniciosa ao meio ambiente.

Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil
Publicado na edição 594, de 9 de novembro de 2011

 
 

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