Termina o período de Vazio Sanitário no Paraná

Desde 15 de setembro agricultores do Estado estão liberados para plantar soja. Na região foram duas autuações feitas a produtores que não respeitaram a medida

Irati - Resolução adotada pela primeira vez pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (SEAB) visa o controle da ferrugem asiática, considerada por agrônomos e produtores como umas das grandes vilãs das lavouras de soja.

De 15 de junho a 15 de setembro os produtores do Paraná foram obrigados a erradicar de suas terras todas as plantas de soja oriundas da safra anterior. A medida dispõe-se a eliminar do Estado a ferrugem asiática, doença causada pelo fungo Phakopsora Pachyrhizi, que pode causar perdas significativas em lavouras isoladas. Detectada pela primeira vez no Brasil na safra 2001/2002, a doença é considerada por produtores e pesquisadores como a maior ameaça da atualidade e já foi detectada nos três Estados do Sul e também em parte do Sudeste e Centro-Oeste brasileiro.
“A expansão de áreas de irrigação faz com que o cultivo da soja ocorra durante o outono/inverno, principalmente nas regiões mais quentes e é esse cultivo que permite a sobrevivência do fungo causador da doença”, conta Rodolfo Garbelini, engenheiro agrônomo responsável pela defesa sanitária vegetal da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (SEAB). Para ele, o período abrangido pelo vazio sanitário ajuda a diminuir prejuízos na lavoura durante a safra de verão e também reduz os custos do produtor com a manutenção da plantação, uma vez que a impossibilidade do plantio está diretamente relacionada a aplicação de fungicidas. “Erradicando a doença teremos uma safra de melhor preço e qualidade, uma vez que a eliminação das plantas vivas vai ter como conseqüência natural a eliminação do hospedeiro”, conta o agrônomo.
Nos três meses em que o Vazio Sanitário esteve em vigor, foi registrado pelo Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (DEFIS) 76 notificações em todo o Paraná. No mesmo período também ocorreram 50 autuações por condições irregulares, que seriam aqueles agricultores que, mesmo avisados da medida, insistiram em manter vivas plantas de soja em suas terras.
A soma das áreas autuadas no Estado chegam a 1.942 hectares e estão localizadas nos Núcleos Regionais de Apucarana, Campo Mourão, Cascavel, Irati, Ivaiporã, Londrina, Maringá, Pato Branco, Ponta Grossa, Toledo, Umuarama e União da Vitória.
Na região de Irati ocorreram apenas duas autuações, sendo estes produtores derivados de áreas de arrendamento. “O agricultor arrendou a terra na safra passada e, como não sabia se o proprietário iria ou não continuar com o contrato, resolveu plantar. Posteriormente, quando as terras voltaram para o proprietário, ele teve que abandonar a lavoura e nessa lavoura foi identificado o fungo”, conta Garbelini, que completa: “Nesse tipo de caso a responsabilidade cai para o dono das terras, que vai ter que erradicar a plantação mesmo tendo sido deixada pelo arrendatário”.
Segundo a SEAB, as penalidades serão aplicadas segundo a lei 11.200/95, dependendo das circunstâncias atenuantes e agravantes, gravidade dos fatos, antecedentes e a conduta do infrator quanto às normas sanitárias, que vão desde advertências até multas. A SEAB, comparando o número de autuações com a área total atingida pelo Vazio Sanitário, considera pequeno o número de autuações ocorridas nesses 90 dias, o que significa que o agricultor paranaense está cada vez mais preocupado com a qualidade de sua safra. “O agricultor está mais consciente, sabe da importância de respeitar os 90 dias para garantir uma safra melhor e mais produtiva em benefício próprio e também da sociedade como um todo. Tomara que continuemos assim”, conclui o agrônomo.

Texto: Luis R. Lopes, da redação