Caryl Whittier Chessman

Ou “The Bandit of Red Light”, o bandido da luz vermelha, foi morto na câmara de gás do Presídio de San Quentin, na Califórnia, EUA, no dia 2 de maio de 1960. Querem saber mais? Pesquisem, a Internet foi feita pra isso mesmo. Mas deu-se o seguinte:

o cara, de bobo, não tinha nada, e conseguiu protelar a sua execução por 12 anos. Leu muito, aprendeu muito, defendeu-se, virou escritor de sucesso (dentro e fora dos Estados Unidos, o que ajudou na comoção pela sua morte) e foi o responsável direto por sua sobrevida na cadeia. A partir dos anos 50, tornou-se corriqueiro por aqui o envio de pilotos brasileiros à América para trazer aviões que eram comprados dos fabricantes de lá. Foi numa dessas que um piloto brasileiro fez contato com um controle de vôo, bem pra baixo de Miami, e o operador era um oficial americano que havia servido em Natal, (RN) na época da II Guerra. O gringo, entusiasmado por encontrar um brasileiro na rota, convidou-o para pernoitar na cidade. Jantaram, e na conversa o piloto perguntou ao gringo como alguém podia condenar à pena de morte um escritor – Chessman – de sucesso, um advogado que por muito esforço havia se formado na cadeia? Aí, creio, ouviu o que não queria. “Nós não matamos um escritor de sucesso e, muito menos, um esforçado estudante de Direito. Nós condenamos e executamos um assassino, que virou escritor e advogado”. “Acontece que vocês, brasileiros, tem o péssimo hábito de julgar bandidos com indulgência, com coração, isso não funciona”.
Lembrei dessa passagem quando vi a declaração de um dos participantes do resgate, que deu no que deu, deste fim de semana, dizendo que houve oportunidade de usar atiradores de elite, “mas o que iria pensar a sociedade?” Como diria aquele símbolo vivo e altivo da mais tradicional família, aquele monumento a moral e aos bons costumes, Dona Copélia, “prefiro não comentar”.
Fotografia – Engraçado nesse fato é que existe uma corrida insana pra ver quem sai melhor na foto. O demente seqüestrador e a imbecil imprensa, nestes casos, conseguem construir uma dupla que, mesmo à revelia, deveriam ser condenados a prisão perpétua e mais uns vinte anos por medida de segurança. Explico: o cara, totalmente desequilibrado, conseguiu o que talvez não imaginasse quando armou o auê, notoriedade. Tanto é assim que passou a se autodenominar “o dono do gueto”. Claro que ele acompanhava, pela televisão da casa, as noticias a seu respeito: virou herói. Herói dele, cara-pálida. Mais uma vez, a televisão levou ao bandido a glamurização, o status de mocinho. Pra quem já está com o circo incendiado, nada mais compensador. Juro, acho que a liberdade de imprensa é um direito que deve ser preservado acima de tudo, mas a responsabilidade sobre esse direito é algo a ser cobrado. No mais, e pra não enrolar muito, sou a favor da execução sumária nesses casos. O cara é maior de idade, sabe perfeitamente o que está fazendo. Tentou matar ou matou e não foi nem em legítima defesa? Encosta no muro, na saída da casa, manda rezar e queima. Tô sendo exagerado? Então tá, pega lá na cadeia, leva pra casa e cuida.
MARCO LEITE