Enobran Renner

O que se ouviu por aí...

“Não se ouviu nada por aí. É tudo invenção de quem não tem o que fazer e fica se enganando na crença de que alguém o lê e relaciona a suposta expressão ouvida a acontecimentos reais. Acho-as provocativas e algumas até ofensivas.”
De um achador de provocações fictícias, supositador de enganações inventivas, inventador de realidades ofensivas, exercitando as articulações imaginativas e relacionando identidades subjetivas. Nossa!!!

O que se ouviu por aí...

“De fato, estou atônito com a pretensão de certos candidatos. Não pelo seu desejo de representação que caracteriza a função legislativa, mas pela incapacidade de demonstrar que essa representação se dará com competência e qualidade. Afinal, a qualidade do representante é a expressão do representado.”
De um caracterizador de qualidades representativas, incapacitando desafetos em frente ao espelho.

O que se ouviu por aí...

“Se eu falo que o que sei é que nada sei, me chamam de burro. O cara falou exatamente isso e é citado até hoje como um dos maiores gênios da humanidade. Se isso é estilo, pobre de mim.”
De um empobrecedor de estilos, sarjeteando-se impiedosamente.

O que se ouviu por aí...

“Olhamos com desilusão para os acontecimentos e vemos, desiludidos, que a utopia de um país melhor, menos dependente das estruturas de corrupção esvai-se junto com a confiança na classe que pode tornar o mundo melhor. Como vamos acreditar na punição dos culpados por desvio de recursos públicos e outros crimes financeiros, com tantos estratagemas legais para mantê-los impunes?”
De um comentador de noticiários, estratagemando as legalidades.

O que se ouviu por aí...

“Essa quietude toda que se vê por aí, inclusive nas redondezas, quer dizer um monte de coisas. Inclusive que tem gente escondendo a carinha pra não ser batida. Não que não vão dar a cara pra bater, mas vão deixar pra fazer isso na última hora, a fim de levar menos pancada possível.”
De uma carinha doidinha pra ser batida, esperando a adesão involuntária de outras tantinhas, para não levar pau sozinha.

O que se ouviu por aí...

“Não é porque eu tive o primeiro registro em carteira aos quinze anos que vou desejar que todo mundo comece a trabalhar com essa idade. O mundo mudou. As relações trabalhistas mudaram, a legislação que regulamenta o mundo do trabalho mudou. Além do mais, se tivéssemos emprego pra todos os adultos que estão desempregados, haveria dinheiro sobrando para qualificar melhor os jovens. Assim, em idade adequada, seriam técnicos mais gabaritados num mundo altamente competitivo.”
De um gabaritador de idéias, mudador de mundo e coisas, caronando nas discussões em foco.

|O que se ouviu por aí...

“Enquanto há tantos que riem sem motivo, há outros tantos em maior número que choram por fortes motivos.”
De uma comentadora de coisas óbvia, achando-se inteleigente em comentário piegas.

“Elas estão cobertas de razão... certíssimas!”
Do mais polêmico e irreverente e performático diretor de teatro brasileiro, repondendo à pergunta sobre o que achava das mães que não estimulam seus filhos à atividade teatral.

“Esses esticamentos ainda vão fazer a pele rasgar em algum lugar. Se é que já não rasgou.”

O que se ouviu por aí...

“A imagem que ele vê de si mesmo certamente é a imagem de um espelho destorcido. Não é possível que alguém viva só de aparências. Não é possível que a vaidade consiga sobrepor-se aos valores que têm sido construídos ao longo da sua existência por aqueles que sempre se mostraram tão responsáveis e tão presentes e tão preocupados com a sua formação humana.”
De um impossibilitador de crenças imaginísticas babando preocupação com formações deformadas envaidecendo-se com as construções existenciais.

O que se ouviu por aí...

“Infelizmente estão fazendo de uma tragédia real uma novela. Se o mesmo destaque e as mesmas incursões investigativas fossem dadas ao

O que se ouviu por aí...

“Acho que o cara fez isso para gozar, descaradamente, dos investidores que ganham rios com a especulação financeira. Claro que ele sabia que não podia. Claro que ele sabia no que daria. Claro que ele fez o que fez porque lhe era oportuno.”
De uma comentarista, nada petista, bem oportunista, esculhambando anúncio premeditado e prematuro sobre reservas gigantescas de petróleo.

O que se ouviu por aí...

MárioQuintana:
“Eu queria trazer-te uns versos muito lindos colhidos no mais íntimo de mim.”

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos

O que se ouviu por aí...

“O prazer aperfeiçoa o ato, não do modo por que o aperfeiçoam o sensível e o sentido, quando um e outro se encontram nas condições convenientes; assim tampouco como a saúde e o médico constituem igualmente causa de encontrar-se alguém são. Que em correspondência a toda sensação se produza um prazer, claro está: dizemos que as sensações da vista e do ouvido são prazíveis.

O que se ouviu por aí...

“Acho que é tudo armação. Inclusive os telefonemas! Fico pensando se não existe um botão para cada um dos brothers e se a tarefa não é previamente pensada para cada um. Se fosse o Marcelo que atendesse dessa última vez achos que a mensagem seria outra.”
De uma pensadora de tarefas bigbrotherianas exclamando desconfianças em torcida dirigida.

O que se ouviu por aí...

“Não te digo que era tudo mentira? Aquela história do ‘precisando alguma coisa me procure’ não passa de balela mal decorada e que não serve para outra coisa senão para ludibriar a boa fé dos incautos. Pena que a incautice é o sobrenome da necessidade.”
De uma desabafadora de infortúnios em fila bancária, incautizando ouvidos amigos reveladores de incauta ingenuidade.

O que se ouviu por aí...

“Ao propor que a CPI dos Cartões Corporativos retroaja há dez anos, o governo inventa uma manobra para impedir que as atrocidades descobertas recentemente venham a público e recebam a devida atenção dos órgãos fiscalizadores e da própria população.”
De um propositor de demagogias, trucidando as invenções estratégicas.

O que se ouviu por aí...

“Neste carnaval quero me arrebentar de tanto pular. Não vou perder uma única noite de folia e vou participar de todos os concursos que tiver, inclusive da mais sonhadora.”
De uma arrebentadora de propósitos, participando sua energia em barraca de cachorro quente.

“Eu até pensei em formar um bloco que se chamaria ´Os Mentirosos`. Mas minha namorada me dissuadiu da idéias alegando que eu poderia estar antecipando a propaganda eleitoral e com isso fazendo apologia dos candidatos.”

O que se ouviu por aí...

“A sensação que tenho é que daqui a pouco vão inventar alguma coisa absolutamente absurda, exatamente para tentar desestabilizar o governo. Dá-se a impressão que não há conformismo diante das prosperidades que o país vem vivendo neste governo. Se nos governos que o antecederam tivesse havido a metade dos progressos que hoje se verifica, certamente que já estaríamos com os dois pés no primeiro mundo.

O que se ouviu por aí...

“Nossa, que chiqueza! Se tive que pará o tempo, por causa dos raio, que seje no verde.”
De uma visitadora de final de ano, merislawiando-se involuntariamente ante a modernidade semafórica.

“Antes engraxado. Agora engraçado. E depois?”
De um preocupado futurador, em análise presidencial historístico-humorística.

“Hei! Péra aí... vocês é que fazem as cagadas e eu é que tenho que consertar? E ainda têm a cara de pau de vir me dizer que eu fui lembrado porque todos gostam de mim? Por favor!!!”

O que se ouviu por aí...

“Antes eu imaginava que essa pose de “senhores do bem” se estabelecia em função da tremenda cara de pau que se formava naturalmente; como conseqüência da própria experiência política que se ia estabelecendo. Agora me dou conta de que a pose é na verdade de “intocáveis”, por conta da certeza de impunidade que caracteriza as suas funções políticas e paralelas a elas.”
De um trocadilhador de funções diversas, entreaspando as qualidades estabelecidas na classe dominada.

O que se ouviu por aí (393)

“Temos que acabar de uma vez por todas com esse sentimento de inferioridade que sempre caracterizou nossas relações internacionais. Sabemos que é difícil; que as elites dominantes não gostam desse tipo de emancipação, porque desglamouriza o acesso a esse tipo de evento que sempre lhes conferiu um status especial. Portanto, todas as manifestações de desdém cuja natureza está no despeito político, nós estaremos encaminhando para o lixo reciclável. Temos a árdua missão de tranformar essa incompreensível inveja em instrumento de solidariedade e construção.