

20:37: mais uma das muita olhadas para os ponteiros. Caiu o caderninho de anotações das coisas ouvidas e das provocações anotadas. Tenciono uma ligação para a Dona Merislawa para ver se me salvo desse tormento da falta de idéias e de cultura e de referências lúcidas e eruditas que justifiquem esse espaço que prova generosidade e coragem de quem o oferece e mais generosidade e mais coragem de quem se aventura à justificativa dele.
Lembro com carinho e alegria as várias manifestações de incentivo e já imagino aqueles que desdenham dessa afirmação, acreditando para si mesmos que somente me lêem de dó. Não sabem que pra me ler tem que ser bom e se o fazem é porque o são naturalmente. Se não desistem da leitura é porque são muito bons. E se chegam ao final, são melhores. Ou melhor, excelentes.
Penso nesse monte de gente, que afirma essa prática e imagino-os na reação da afirmação do monte. Monte Fuji, é claro! Nobre, majestoso, imponente. E na carona da imaginação a reação “ah, bom! O Fuji pode.” Desisto da idéia: certamente a Dona Merislawa está lá para o lado norte da linha do Equador, inventando coisas com o Obama. Afimou-me, na despedida que ia a pedido dele, assessorá-lo na definição de políticas públicas voltadas não sei para que populações. Desisto da intenção. Vou ver uma barulheira que vem da cozinha. Não é nada. Só barulheira.
21:00 horas. Toca o telefone. Só pode ser reclamação. Não dá tempo de atender:
- É pros sem-sorte!
- Como? Alô?! Deseja falar com quem?
- Ca tua vó é que não é! Inclusive vá vê ela no domingo e diga queu mandei um abraço. Dito isso, volto pro assunto cocê ameaçô de dizê i amarelô.
- Dona Merislawa?
- Não o papai-noel!
- Oi bom velhinho... Como está a prosa com o Obama? Já acertaram alguma coisa?
- Puis óia, tamo chegando numa definição das pessoa que vão ser atendida por essa nova forma de governá. Não tá sendo muito fácil por causa cas resistência são maior cas condes... o quê mesmo?
- Condescendência.
- Isso. Tá difícil os apoiamento pras decisão de cortá verba pros financiamento armamentista e o dirigimento dessas verba pra produção de tecnologia alimentar.
- Do quê?
- Tecnologia alimentar!
- Transgenia a senhora quer dizer?
- Não! Tecnologia alimentar não qué dizê desenvolvimento científico pra aumentá a produção nem pra fazê as planta crescê mais depressa ou ser mais resistente. Qué dizê investí na sensibilização das pessoa pra pará de ser tão tongas i comê menos bobage.
- Pôxa. Bacana! E qual serão as estratégias para a sensibilização das pessoas? Afinal, imagino que o grande desafio nessa área é romper com os vícios alimentares constituídos culturalmente. E mais, buscar alternativas viáveis de consumo responsável a partir de práticas simples que perpassam outras atividades sociais, outras áreas do conhecimento, outros níveis de convivência determinantes de um ambiente melhor, porque mais racional. E mais racional porque naturalmente preocupado com a preservação ambiental. E mais...
- Pode pará seu Robis. Primero ajunte o teu caderninho i anote isso cocê acabô de falá que, de certo, não dura meia hora pro esquecimento. Ademais, acho que vô propor pro Obama a definição de políticas pública voltada pra uma otra parte da população que também tá crescendo de forma desordenada: os sem-coração.
- Como?
- Otra ora eu te falo do diaguinóstico que fizemo aqui i a coisa tá feia. Por agora ficamo como tá i, claro, tenho que dizê que gostei do perpassá... Inté seu Robis.
- E eu gostei do apoiamento e do dirigimento! Abração, Dona Merislawa.