Saudade, sim. Tristeza, não editorial

A morte sempre esteve envolta em mistérios. Até que chegue nossa hora, não saberemos de onde viemos nem para onde vamos. Cada vez que falece um ente querido, somos tomados de sentimentos que não conseguimos entender, muito menos explicar. Se morre um velho, sentimos saudades. Se morre um jovem, imaginamos como teria sido sua vida se ela não fosse interrompida tão cedo.
Já os povos pré-históricos enterravam seus mortos, sendo considerada esta a primeira manifestação religiosa da humanidade. Para os cristãos, o dia de Finados é o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas que faleceram. É um dia de amor e de saudade, pois amar é sentir que o outro jamais morrerá.
A história do dia de Finados começa no século I depois de Cristo, quando os primeiros cristãos iam até as catacumbas dos mártires rezar por aqueles que morreram sem martírio. Somente no século XIII é que a Igreja Católica instituiu o dia 2 de novembro como o dia para celebrar os mortos, dia seguinte ao dia de todos os santos, em que se celebra a todos aqueles que morreram em estado de graça e que ainda não foram canonizados.
Seja por culto religioso, seja por apego pessoal, a data acaba recheada de memórias e saudade. Os cemitérios se enchem de declarações de amor e de esperança de reencontro na vida eterna, externadas em forma de flores, velas e orações. A homenagem ao ente falecido consiste numa das mais verdadeiras expressões de amor, pois só a ausência de quem se ama pode ser sentida de maneira mais forte e somente as boas lembranças podem amenizar a dor da perda. Portanto, o dia de Finados não deve ser considerado um dia triste pela ausência, mas comemorado porque um dia tivemos a maravilhosa oportunidade de conviver com aqueles a quem homenageamos neste dia.