

Há na filosofia um momento em que o homem passa a admirar-se também por ele mesmo. Não só o mundo é a causa de seu estranhamento, mas ele mesmo o é. Em estranhando-se a si mesmo, o homem faz uma filosofia do próprio homem.
Algumas questíµes norteiam esse pensamento sobre si, talvez são as questíµes mais evidentes e vivas no ser humano desde sua constituição no mundo, tais como: Quem sou? Por que sou? Dê que sou? Por que vivo?
Apesar de termos consciência de que não podemos responder trivialmente estas questíµes, sabemos que o maior intuito de qualquer um é encontrar para elas um fim, uma resposta. Contudo a resposta destas questíµes indica também o fim daquilo que chamamos ser humano. Para que sejamos o que somos, dependemos destas questíµes. Talvez sejam elas que nos mantenham no equilíbrio, na busca e na harmonia com a vida.
A busca filosófica está ligada í s dificuldades do homem enquanto ser no mundo. Cada vez mais se torna evidente que filosofando chegamos í mesma compreensão de Sócrates; “tudo que sabemos é que nada sabemosâ€.
Fazendo análises científicas podemos encontrar muitas teorias e teses acerca da constituição material humana, saúde, bem estar e disposição. Assim, também a psicologia se dispíµe a encontrar essência do homem, porém nas ciências só observamos fragmentos do humano. Tanto as ciências naturais, como as psicológicas, se detém a algo que há de material no homem. Como se fí´ssemos simplesmente coisas que quebram e podem, ou não, ser consertadas. Ou ainda como se tivéssemos uma alma, fora de nós, a qual pode ser objeto de um estudo empírico e objetivo. Não podemos, de modo algum, negar o valor destas ciências, mas percebemos que somos muito mais do que isso.
Somos seres dotados de possibilidade, possibilidade para o mundo e para a divindade. Somos seres de espirituais, aos quais cabe a investigação e a procura.
Estudamos a filosofia no intuito de um confronto com o homem, enquanto ser integral. A característica da filosofia é que ela aborda o ser enquanto tal, e quando fazemos uma filosofia antropológica tratamos do homem enquanto ser-aí.
O filosófico está no método da busca. Em filosofia, buscamos por meio de questíµes, por meio de pontos norteadores, que nos levam ao cerne do humano, í quilo que ele pode ser considerado, “pastor do Serâ€. Enquanto pastores do Ser, somos estudantes e objetos de estudo, investigadores e investigados. Destarte, somos pastores de nós mesmos, pois participamos do Ser. Em participando do ser, somos no ser.
Estudamos essa antropologia por causa de um impulso, de uma grande vontade de conhecimento. Por meio deste estudo não adquirimos mais dados acerca do que seja o homem. Na verdade ele nos leva ao encontro com o homem. Não existe uma resposta objetiva, para o motivo que nos leva ao estudo filosófico. Enquanto adentrados no espírito da filosofia, somos lançados í questão do homem. Esta é uma questão piví´ que, em qualquer ãmbito, sustenta as possibilidades de estudo. Pois, somente quando o homem encontra-se é que ele se dispíµe ao encontro dos outros.