Competência

Exemplar a aula de competência que a policia paulista tem nos dado no caso da menina jogada pela janela do apartamento, na capital paulista. No exemplo, estamos tendo a oportunidade de assistir como deveriam correr, ou como deveria ser o padrão de investigação, no caso de um delito. Mas nem sempre é assim, melhor, quase nunca. Claro que a imprensa deu sua parcela de colaboração expondo í  quem quisesse e a quem não quisesse ver, que uma pessoa havia sido jogada de um andar de um edifí­cio. Se fosse uma pessoa adulta, talvez a repercussão não tivesse atingido o grau de comoção que vimos por ter sido uma criança, desprovida de qualquer meio de defesa. Mas volto í  polí­cia. Métodos cientí­ficos pra detectar manchas de sangue, simulação virtual, reprodução de uma boneca com as caracterí­sticas da vitima; todos os movimentos do pretensos autores, repetidos dentro do tempo compatí­vel com o que poderia ser o caminho percorrido até - o que se imagina - os movimentos finais. Enfim, uma aula.
Pena que essa realidade não seja regra geral. Paralelamente ao que vimos durante esse tempo todo, outra realidade corre em sentido contrário. Numa dessas “mesas redondas” televisadas, tratando do tema, assisto autoridades da área contando que o número de crianças mortas por dia, no Brasil, por alguma forma de violência, gira em torno de dez - mas a autoridade acha que é maior o número. Então, enquanto assistí­amos consternados os vai e vens da famí­lia dos pretensos matadores, o povo indignado querendo a jugular do pai ou da madrasta da menina assassinada, morreram mais de trezentas crianças, e nós não ficamos sabendo de nada. Pois é, as nossas trezentas indigentes não foram jogadas pela janela de um apartamento classe média alta, na zona norte de São Paulo. Não havia por perto uma estação de televisão, ou outros fortes argumentos que justificassem as aulas de competência e dedicação que a polí­cia de São Paulo vem nos dando. E aonde vai acabar tudo isso? Provavelmente os pretensos assassinos serão denunciados, e daí­? E daí­, nada. Não há flagrante; não há uma confissão, admissão de culpa, e não se segura ninguém na cadeia por indicio, por presunção. Sei! Acho que mais uma vez to errado, mas to fortemente propenso a acreditar que infelizmente essa gentalha não vai pagar pelo que fez.
“...Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com uma pão, e, ao se encontrarem, trocarem os pães, cada um vai embora com um. Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com uma idéia, e, ao se encontrarem, trocarem as idéias, cada um vai embora com duas”.