Quedas

Coraçíµes e mentes do paí­s foram abaladas em pouco mais de trinta dias por duas quedas, uma criminosa e com ví­tima fatal, a segunda, burra e, dependendo do ponto de vista, também com vitima(s). Na primeira o que vimos foi a televisão promovendo uma inquisição no atacado, e uma condenação no varejo, e o incrí­vel poder de transformação das pessoas í  frente de uma cãmera de TV. Do ostracismo para os jornais, as pessoas passaram da seriedade ao estrelato sem o menor pudor, concedendo-se o direito de pairarem acima do bem e do mal. Por pouco tempo! Tanto que tudo o que era verdade e acusação, sem apelação, hoje continua, mas não muito. Já tem gente dizendo que não foi bem assim; ouvi, mas não tenho certeza, e por aí­ caminha a humanidade. Cessaram as romarias, o número de turistas caiu assustadoramente, e agora o que se vê não passa de uma forma de sustentação do tema, pelas emissoras. Mas como nem tudo é desgraça como querem as TVs, a vida vai, mas nunca faltará um vacilão prá criar um fato novo e eis que no estertor do assunto da queda do sexto andar, Ronaldo, o fení´meno (nunca caiu tão bem o apelido!), em plena forma fí­sica, se encarrega de promover a segunda queda, esta, do cavalo. Eu não acredito! Se fosse um estreante, ia pagar pela falta de prática, mas não é o caso, o cara é viajado. Claro que tem desconto, se fosse uma Roberta Close, no escuro, até dava pra alegar engano, mas não é o caso. E o complicador é que foram necessários três travestis pra que se configurasse o engano. Daí­ pro Fantástico (fantástica foi í  falta de percepção) foi um pulo. Foram uns trinta minutos de bola levantada para que o atleta apresentasse a sua versão da história, sem direito a contraditório. Dia seguinte, segunda cedo, um outro canal, visceralmente oposto a emissora do Fantástico, encarregou-se de desancar o jogador, também sem direito ao contraditório. E assim nós, os palhaços, vamos encarando o circo deles. Quosque tandem, Catilinia, abutere patentiam nostram?
Mondo Cane - Atendendo também por: A Dog’s Life, Mondo Cane Nº 1, Tales of the Bizarre, foi lançado em 1962 no Festival de Cannes. Ele iniciou o que se chamaria de “shockumentary”, documentário chocante, por estar focado na exploração de cenas bizarras, de perversidade, crueldade a céu aberto e violência animal. Cultura da vida e da morte, e por aí­ vai. Quebrador de tabus na época, hoje não passaria nem no pré-vestibular de nossos exemplares jornais televisivos. Porque digo isso? Só por um exemplo: no noticiário de hoje, segunda-feira (quando escrevo as mal traçadas), em todas as televisíµes dá-se destaque para explosão de uma mina de carvão em Santa Catarina e, coincidentemente, todas, em close, pegaram a figura do pai de um dos mortos no acidente, exatamente na hora que ele, chorando, dizia: “perdi meu filho”. O Mondo Cane, pelo menos tinha uma coisa brilhante, a trilha musical, “More”, que ganhou o Oscar de melhor do ano.