

í‰ verdade! Eu disse que a responsabilidade da educação das crianças é dos seus pais. í‰ verdade! Eu disse que as tarefas domésticas são necessárias para criar na criança, no adolescente, no jovem, o sentido da responsabilidade. í‰ verdade! Eu disse que ausência de procedimentos que isentam as crianças desses referenciais tênues de colaboração familiar pode determinar um ambiente propício í formação de uma geração de vagabundos que pensam que a gratuidade das coisas é a regra e que o mundo está subordinado í satisfação das suas vontades. í‰ verdade, também, que afirmei entender que a escola é um ambiente privilegiado de aquisição de conhecimento e que a educação resultante desse aprimoramento do saber determina uma educação mais segura. Daí o porquê de ter afirmado contundentemente que é burrice ir para a aula e não aproveitar para aprender. E que essa burrice se potencializa quando além de não se auto-permitir o aprendizado compromete o do outro que não possui as mesmas tendências intelectuais.
Volto nessas afirmaçíµes para confirmar crenças individuais. Minhas.
Que estabelecer verdades, que nada! Sou pretensioso, sim, e até ingênuo. Louco, não tanto. Jamais defendi o trabalho infantil. Jamais defendi o exagero de profissionais do saber que só os cometem porque há uma latejante ausência dos pais nos processos de formação dos filhos. Jamais defendi a exploração infantil no trabalho doméstico. O limite entre um ambiente favorável de formação de responsabilidades e o exagero nas exigências de cumprimento de deveres, tem que ser do conhecimento dos pais e/ou responsáveis pela criança. Quando esse limite é extrapolado há os procedimentos corretos que precisam ser tomados, porque algum direito da criança foi violado. Nesse caso, o Conselho Tutelar precisa ser acionado; e sempre que alguma criança tiver seu direito ameaçado ou violado.
Louvo, respeito e enalteço o esforço de todos os professores, no meu entender profissionais do conhecimento, que fazem do exercício profissional um compromisso permanente de transformação do mundo, determinando construçíµes de vidas partilhadas, pois se constroem, também, diariamente. Lamento as interpretaçíµes equivocadas, resgatadas fora do contexto em que as afirmaçíµes foram expressas.
Para justificar o desconhecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente criam-se relaçíµes de permissividade e omissão em nome de direitos assegurados. O ECA não é uma arma nem de ataque nem de defesa. O ECA não é uma arma! í‰ um instrumento legalmente institucionalizado de garantia de direitos, criado para assegurar igualdade, atenção, desenvolvimento e proteção. Jamais pode ser referenciado para justificar falta de respeito, de educação, ou outros desvios que, não raro, são expressíµes gritantes de desestruturas outras determinadas por fatores sociais mais complexos e, muitas vezes, tristemente enraizados na família.
Nem sempre é fácil de entender e nunca é fácil de aceitar, mas o mundo das crianças de hoje não é o mesmo das crianças de ontem - claro, entendido o ontem como uma referência de passado- de maneira que as relaçíµes que se estabelecem nesses mundos diferentes só podem ser compreendidas se preservados certos valores que nivelam a existência e permitem a convivência; entre eles o respeito. Nesse sentido é importante compreender que nem sempre o gostar estimula a aceitação. Mas o respeitar estabelece a convivência, possibilita a harmonia.
O amor é uma atitude pessoal. O respeito é um compromisso individual de civilidade, uma obrigação social. E isso não é uma verdade estabelecida. í‰ a lógica determinante de instrumentos que devem ser utilizados na construção diária de um mundo melhor. Mundo que começa, intransferivelmente, em cada ser.