Minc e a internacionalização da Amazí´nia

Reinaldo Azevedo é jornalista da VEJA e mantém um blog, http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo - talvez o mais acessado do Brasil -,
na Internet. Tinha vontade de tratar do tema tratado por ele aqui, mas me falta
consistência, então, apelo. Leiam, vocês não vão se arrepender.
Marco Leite
Minc e a internacionalização da Amazí´nia
Mundo afora, pipoca a questão: "A Amazí´nia não é importante demais para ficar sob os cuidados dos brasileiros apenas?" No dia 15, o jornal esquerdista inglês The Independent escreveu, em editorial, com todas as letras, sobre a Amazí´nia: "This part of Brazil is too important to leave to the Brazilians." Ou em bom português: "Esta parte do Brasil é muito importante para ser deixada aos brasileiros". Ele é especialmente capcioso porque, vejam que graça, não condena o Brasil, não. Ao contrário até. Diz ser muito fácil a uma nação rica condenar uma emergente que sucumbe í s pressíµes comerciais e abandona a questão ambiental. Entenderam o ponto? Eles querem ajudar, sim. Mas o pressuposto é o seguinte: "a Amazí´nia é nossa". O The New York Times também já lançou o debate: não seria a floresta um patrimí´nio mundial?

Carlos Minc, na entrevista (ver abaixo) deu uma boa resposta. Afirmou que considera Paris e Nova York também patrimí´nios mundiais. A ilação óbvia é a seguinte: "E nós não nos metemos lá, então..." í‰, a resposta é boa, mas requer contexto. E aí­ tudo muda. Tente entrar em Nova York ou em Paris para fazer "trabalho social" ou agitação polí­tica para ver o que acontece. A Amazí´nia é a casa-da-mãe-joana.

E a coisa é especialmente perversa porque, de um lado, não se controlam os madeireiros. Estamos falando de uma economia informal, paralela, que não rende um tostão aos cofres públicos e ainda alimenta o caixa dois de polí­ticos. Sabem quem está combatendo, por exemplo, a operação Arco de Fogo, da PF, contra as madeireiras? A turma da base governista. Acha que, em ano de eleição, não é uma boa idéia. Então ficamos assim: o governo deixa que os bandoleiros atuem í  vontade na floresta. E depois permite que os "bandoleiros do bem" — ONGs e entidades internacionais sobre as quais não se tem nem informação — venham combater os "do mal".

Ora, quem paga a ração das galinhas quer ser dono do galinheiro. O ambientalismo brasileiro é sustentado por entidades estrangeiras — que só dão o seu rico dinheirinho no pressuposto de que "a Amazí´nia é nossa", deles também. Assim surgiram as Marinas e os Mincs. Ou alguém acredita que a ex-ministra, formada na escola do "muito internacional" Chico Mendes, teve um estalo de Vieira no meio do seringal e começou a falar a lí­ngua franca do ambientalismo?

Neste exato momento, temos uma questão importante sendo julgada no STF. Os arrozeiros de Raposa Serra do Sol ocupam 0,7% da reserva, um "paí­s" que está sendo entregue a 19 mil í­ndios. Querem expulsar de lá agricultores que produzem 159 mil toneladas de arroz por ano. Pois bem: a demarcação contí­nua da área é uma reivindicação de uma ONG aparentemente indí­gena — a CIR (Conselho Indí­gena de Roraima) — financiada pela Fundação Ford e pela The Nature Conservancy, que recebe dinheiro dos governos dos Estados Unidos, Reino Unido e França. O resumo da ópera é o seguinte: brasileiros estão sendo expulsos de solo brasileiro porque, afinal, "a Amazí´nia é nossa" — e isso quer dizer que é "deles" também.

O petismo, financiado pelo onguismo internacional, sempre berrou aos quatro ventos — e berra ainda (ao menos parte dele) — que não há conciliação possí­vel entre o agronegócio e a preservação do meio ambiente. Mais: sempre deu a entender que a Amazí´nia está perto do colapso. Até agora, desmataram-se 18% da região — é muito, sim; mas também pode ser muito pouco, dada a realidade mundial —, mas já se fala em desertificação e outras ameaças finalistas e mentirosas.

Ora, o mundo correu para socorrer os incompetentes e destruidores de floresta, não é mesmo? Paris continuará deles. E agora querem compartilhar a Amazí´nia, ministro.

Minc e a internacionalização da Amazí´nia
Mundo afora, pipoca a questão: "A Amazí´nia não é importante demais para ficar sob os cuidados dos brasileiros apenas?" No dia 15, o jornal esquerdista inglês The Independent escreveu, em editorial, com todas as letras, sobre a Amazí´nia: "This part of Brazil is too important to leave to the Brazilians." Ou em bom português: "Esta parte do Brasil é muito importante para ser deixada aos brasileiros". Ele é especialmente capcioso porque, vejam que graça, não condena o Brasil, não. Ao contrário até. Diz ser muito fácil a uma nação rica condenar uma emergente que sucumbe í s pressíµes comerciais e abandona a questão ambiental. Entenderam o ponto? Eles querem ajudar, sim. Mas o pressuposto é o seguinte: "a Amazí´nia é nossa". O The New York Times também já lançou o debate: não seria a floresta um patrimí´nio mundial?

Carlos Minc, na entrevista (ver abaixo) deu uma boa resposta. Afirmou que considera Paris e Nova York também patrimí´nios mundiais. A ilação óbvia é a seguinte: "E nós não nos metemos lá, então..." í‰, a resposta é boa, mas requer contexto. E aí­ tudo muda. Tente entrar em Nova York ou em Paris para fazer "trabalho social" ou agitação polí­tica para ver o que acontece. A Amazí´nia é a casa-da-mãe-joana.

E a coisa é especialmente perversa porque, de um lado, não se controlam os madeireiros. Estamos falando de uma economia informal, paralela, que não rende um tostão aos cofres públicos e ainda alimenta o caixa dois de polí­ticos. Sabem quem está combatendo, por exemplo, a operação Arco de Fogo, da PF, contra as madeireiras? A turma da base governista. Acha que, em ano de eleição, não é uma boa idéia. Então ficamos assim: o governo deixa que os bandoleiros atuem í  vontade na floresta. E depois permite que os "bandoleiros do bem" — ONGs e entidades internacionais sobre as quais não se tem nem informação — venham combater os "do mal".

Ora, quem paga a ração das galinhas quer ser dono do galinheiro. O ambientalismo brasileiro é sustentado por entidades estrangeiras — que só dão o seu rico dinheirinho no pressuposto de que "a Amazí´nia é nossa", deles também. Assim surgiram as Marinas e os Mincs. Ou alguém acredita que a ex-ministra, formada na escola do "muito internacional" Chico Mendes, teve um estalo de Vieira no meio do seringal e começou a falar a lí­ngua franca do ambientalismo?

Neste exato momento, temos uma questão importante sendo julgada no STF. Os arrozeiros de Raposa Serra do Sol ocupam 0,7% da reserva, um "paí­s" que está sendo entregue a 19 mil í­ndios. Querem expulsar de lá agricultores que produzem 159 mil toneladas de arroz por ano. Pois bem: a demarcação contí­nua da área é uma reivindicação de uma ONG aparentemente indí­gena — a CIR (Conselho Indí­gena de Roraima) — financiada pela Fundação Ford e pela The Nature Conservancy, que recebe dinheiro dos governos dos Estados Unidos, Reino Unido e França. O resumo da ópera é o seguinte: brasileiros estão sendo expulsos de solo brasileiro porque, afinal, "a Amazí´nia é nossa" — e isso quer dizer que é "deles" também.

O petismo, financiado pelo onguismo internacional, sempre berrou aos quatro ventos — e berra ainda (ao menos parte dele) — que não há conciliação possí­vel entre o agronegócio e a preservação do meio ambiente. Mais: sempre deu a entender que a Amazí´nia está perto do colapso. Até agora, desmataram-se 18% da região — é muito, sim; mas também pode ser muito pouco, dada a realidade mundial —, mas já se fala em desertificação e outras ameaças finalistas e mentirosas.

Ora, o mundo correu para socorrer os incompetentes e destruidores de floresta, não é mesmo? Paris continuará deles. E agora querem compartilhar a Amazí´nia, ministro.