Descuidados

Gozado, né? como ta disseminado esse negócio da bandalheira com bandeira oficial. Na fase atual, corria tudo mais ou menos entre quatro paredes até que o então deputado Roberto Jefferson resolveu jogar merda no ventilador, daí­ pra frente temos a televisão, rádios e jornais que, dentro do possí­vel, nos dão conta das mais variadas estripulias. Mas o que eu gosto mesmo é do leque de abrangência. Não sobra nada pra ninguém. Quem ta fora não entra e quem ta dentro não sai, e não é demitido, cassado e outras facilidades. Entrei no tema só pelo que ta acontecendo - outra vez - com a ANAC. Quando você pensa que já tinha visto tudo, aparece alguém com um tambor de gasolina (de aviação) e joga no braseiro. í‰ labareda pra todo lado e, curiosamente, ninguém viu nada, não ouviu nada, não tem nada com iisso ou, quando muito, sugerem: pergunte pro guardião que tava aqui aquele dia, e por aí­ vai. Eu já to achando divertido: um monte de gente que finge dizer a verdade e um monte de gente que finge que acredita e que resulta em não cassáveis e elegiveis. E fica por isso mesmo. E o rachide?? Engraçada, também, é a desfaçatez, o cinismo. A policia pega um ladrãozinho meia boca e se o cara sente que tem cãmera de televisão por perto, a primeira coisa que faz é cobrir o rosto, esse pessoal de quem falo, além de não cobrir o rosto até parece que se diverte com a certeza que não vai ficar preso. Mas, veja, sempre se consegue agregar alguma coisa: mensalão, cartão corporativo, Paulinho da Força, dossiê, agora o renascimento desse rolo da VARIG/ANAC, desmatamento da Amazí´nia, um gênio (ainda não descoberto pelos altos próceres da polí­tica brasileira) contra a construção do aeródromo de Irati, isso dói, gentchiii. Mas é ingenuidade pensar que isso só ocorre nos “altos escalíµes”, nada! Tem em toda parte. Nessa minha vida errante (hoje eu to meio poético) conheci nesse brasilzão muito prefeitinho que, em matéria de meter a mão, e guardadas as devidas proporçíµes, se equivalem aos grandes ladríµes que abundam pelo solo fértil (não disse que eu to pras altas esferas?) da Pátria amada idolatrada salve, salve. í‰ um tal de meter a mão em grana de merenda e transporte escolar, livros e cadernos, doaçíµes da Receita Federal, verba pra enchentes e catástrofes, campanha polí­tica, objetos pra decoração e por aí­ vai. Já soube de prefeito que roubou material de construção de uma mirrada prefeitura. Mas são histórias que a gente ouve por aí­, algumas vezes longe, outras nem tanto. Uma coisa eles todos tem em comum: a desfaçatez, o cinismo, a falta de vergonha na cara. Circulam com uma altivez tão proba que, acho, até eles acreditam que passarão belos e fagueiros pelo dia de amanhã. Mas devem ser felizes, e como não são bobos, sabem que um dia o bicho pega, a casa cai, essas coisas. í‰ uma questão de tempo. “O mundo gira”, como dizia Monsieur André Herman, meu professor de francês, no colégio São Vicente.

Piquet - Nada a acrescentar. Mas ele sempre foi lí­ngua solta, ferino, sempre pegou pesado. Na sua galeria de vitimas mais freqí¼entes, Rubens Barrichelo e Ayrton Senna sempre tiveram local de destaque. Das suas mortí­feras pérolas, uma ainda insiste em ser sempre atual: “o segundo é o primeiro dos perdedores”. Como quem fala demais acaba cumprimentando poste, o que será ele acha dos resultados do Nelsinho, na F1.