

Agricultores expressam desagravo em relação í s denúncias de exploração do trabalho infantil, sob argumento de “tumulto na cadeia produtivaâ€
Irati - O Sindicato Patronal Rural de Irati e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais organizaram na última terça-feira (17) um protesto contra as denúncias de exploração do trabalho infantil e de mão-de-obra na cadeia produtiva do fumo. O argumento dos fumicultores é de que há um tumulto generalizado, com a imposição de dificuldades na liberação de crédito e em alguns tipos de propriedades.
De acordo com o presidente do Sindicato Patronal Rural de Irati, Mesaque Kecot Veres, foi realizada uma assembléia no dia 26 de maio com os fumicultores. Na ocasião, foi citado que a denúncia levantada em reportagem no programa de televisão Fanstástico, da Rede Globo, não reflete a realidade da fumicultura. “Criou-se um tumulto na cadeia produtiva do fumo. Não se sabe se vai ter, se não vai ter leilão. O Banco do Brasil suspendeu o crédito para quem planta fumo. Temos em torno de 4 mil assinaturas e estamos fazendo um manifesto de desagravo í s denúncias que geraram esta situaçãoâ€, afirma Mesaque, que entregou documento ao gerente da agência BB de Irati solicitando que seja feita a liberação do crédito ao fumicultor. “Não se trata de crédito para plantar fumo. O agricultor também planta na mesma propriedade o milho, o feijão. Aí ela precisa fazer o financiamento de uma plantadeira e, sem cultivar o fumo, não tem capacidade financeira pra fazer o investimento. Depois destas denúncias, há uma norma que impede o fumicultor de ter acesso ao créditoâ€, afirma.
Perante esta situação, 4 mil assinaturas foram coletadas e na terça (17) foi realizada uma assembléia na sede do Sindicato Patronal Rural. Em seguida, os fumicultores saíram em carreata pelas ruas de Irati, em direção ao Banco do Brasil, onde entregaram o documento pedindo que seja feita a liberação de crédito ao fumicultor. Depois disso, a carreta seguiu até a BR 277.
Reserva Legal - Outra reivindicação que veio a público para que moradores de faxinais e de íreas de Proteção Ambiental (APAs) possam plantar fumo. “Em uma propriedade com três alqueires, por exemplo, você planta 1,5 alqueire para preservar o meio ambiente, com mata ciliar, mata nativa, reserva legal. Se o pequeno agricultor não pode utilizar essa área, a renda é menor. Como não pode por força da lei, é justo que o agricultor seja remunerado para issoâ€, destaca.
O Código Florestal Brasileiro, promulgado pela Lei Federal nº 4.771 de 1965, estabelece que todo o imóvel rural deve manter 20% de área com cobertura vegetal nativa, como Reserva Legal do imóvel. Ela é obrigatória. De acordo informativo distribuído pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA), estas áreas de vegetação nativa podem ser divididas em uma ou várias parcelas dentro de um imóvel ou posse rural. O percentual de conversação ou recuperação estipulado no Paraná é o mesmo. Segundo a SEMA, a Reserva Legal tem a função de conservação e também pode gerar renda para o agricultor através do manejo sob regime sustentável.
Quando o imóvel não possui vegetação nativa para constituir Reserva Legal a área deve ser recuperada no prazo máximo de 20 anos, que pode ser cumprido de forma escalonada, ou seja, a cada ano deverá ser recuperado 1/20 da área. O não cumprimento da parcela correspondente anual gera efeito cumulativo para os anos subseqí¼entes.
Para a pequena propriedade rural, a Lei prevê isenção de taxas do IAP e do cartório e, para o agricultor que não tiver condiçíµes financeiras de pagar a elaboração do mapa de uso e ocupação do solo, apenas solicita dispensa de apresentação do mesmo em um escritório do IAP, com informaçíµes escritas sobre este uso e ocupação.
Licenciamento de tratores - Aproveitando a ocorrência de acidentes envolvendo tratores nos últimos dias, Mesaque Kecot Veres solicita que sejam facilitadas as condiçíµes de licenciamento destes veículos. “O ideal é que estes tratores sejam legalizados através do licenciamento. Para quem possui dois tratores e preserva sua mata ciliar, estamos pedindo que seja dada isençãoâ€, explica.
Texto e fotos: João Quaquio, da Redação