

Há 50 anos o processo é o mesmo. Apesar de todas as mudanças na cidade, a farinheira trazida por Carlos Alberto Stroparo continua instalada no mesmo local
Irati - “O processo é simples, é a transformação do milho em farinha de milhoâ€, é assim que o proprietário da farinheira Stroparo, Anselmo Luiz Stroparo, que desde 1951 faz parte da história iratiense, descreve o trabalho da fábrica. Com nove funcionários envolvidos diretamente na indústria, a empresa familiar, que pertencente a descendentes de imigrantes italianos, leva o nome de Irati a diversas cidades brasileiras.
Muitos iratienses certamente já foram e ainda vão í fábrica para comprar a farinha diretamente de lá, provando os ‘bijus’ ainda quentes, direto do forno. Até que o milho se transforme em biju e que a farinha saia da fábrica, há muitos passos a serem seguidos, os quais não mudam desde o início do negócio. Recebe-se a matéria prima, o milho in natura, que é desmembrado e passa por um processo de inchamento, ficando submerso em água por aproximadamente 72 horas. Depois ele passa pela moagem, quando é extraída uma massa homogênea e úmida, que vai para os fornos de secagem. “Ela recebe calor para retirar a umidade. Depois, um rolo compressor faz com que fique crocante e se transforme no bijuâ€, explica Anselmo.
Na farinheira Stroparo é produzida a farinha de milho branca e a amarela. Como a produção é contínua, o milho é adquirido de diversos lugares, conforme a disponibilidade. Anselmo conta que o milho amarelo é mais fácil de ser encontrado, enquanto o branco é mais escasso. Ele revela que nesta região do estado e em Santa Catarina, a farinha de milho branca é mais produzida, enquanto no norte do Paraná, o maior consumo é da farinha amarela. “A farinha de milho é de origem européia e a branca é mais utilizada nesta culinária. Como a incidência do povo europeu é maior no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o consumo da farinha branca é maior aqui. No norte, como tem mais descendência paulista e nordestina, há mais consumo da amarelaâ€, afirma Anselmo.
Anselmo Luiz Stroparo conta que a entrada no ramo deu-se por acaso, através de uma permuta. Ele recorda que um caminhão foi trocado por uma fábrica de farinha, que estava instalada em Ponta Grossa. “Todo o processo, da construção do barracão, transporte e montagem, demorou em torno de dois anos. Então, mais ou menos em 1949 isso tudo começou, para que a fábrica começasse a produzir em 1951â€, conta. “Foi o meu pai, Carlos Alberto Stroparo, quem transportou e montou a fábrica e que deu início a tudo o que está aí. Eu já sou a segunda geração da empresaâ€, complementa.
A fábrica surgiu da sociedade Viúva Stroparo e filhos. “Ela foi se transformando. Por último a sociedade ficou entre Tadeo Duda, Carlos Alberto Stroparo e Francisco Stroparo. Mas hoje está tudo dividido, cada um com sua parteâ€, conta Anselmo.
Brasão - No verso da embalagem da farinha de milho Stroparo, há o brasão da família. A pesquisa sobre o brasão foi encomendada a um pesquisador em assuntos de heráldica, ciência especializada em investigar e formar brasíµes, Afonso Galvão. De acordo com a pesquisa, os ancestrais da família Stroparo são de origem Belga. Os precursores da família Stroparo em Irati, Francisco Stroparo e Luiza Eulália Simionato imigraram para o Brasil em 1885 e 1889, respectivamente, estabelecendo-se no litoral paranaense. Ele veio de Pozzo Leone, Vicenza, e ela de Resana, província de Treviso, ambos da Itália.
No brasão da família, um escudo vermelho, com uma banda cosida do mesmo esmalte, perfilada de prata, tem ao centro um braço armado de prata, empunhando um galho de videira em sua cor. Diz-se que estas armas fazem referência a um ascendente da família que em campo de batalha, tendo perdido sua espada, utilizou um galho de videira para vencer seu oponente.
Texto: Carolina Filipaki, da Redação, com informaçíµes do livro “Descendentes da família de Francisco Stroparo e Luiza Eulália Simionato Stroparoâ€