Drogas: necessidade de enfrentamento

Do dia 19 ao dia 26 de junho, ocorreu a Semana Nacional de Prevenção ao Uso de Drogas. Ocasião que deveria ter sido utilizada pela sociedade para iniciar um engajamento mí­nimo ou envolvimento com o tema. Afinal, de quem é a responsabilidade pelas conseqí¼ências e dependência quí­mica de um usuário de drogas? Que reação ou medida devemos tomar ao se deparar com o problema?
Antes de tudo é necessário entender que não se deve procurar responsáveis ou culpados para o problema. Ou mesmo transferir simplesmente a responsabilidade para o poder público, como se nossos representantes polí­ticos fossem os únicos responsáveis por buscar soluçíµes para o problema. Mas sim compreender que ela é resultado da ação de uma sociedade (ou da falta de ação ou iniciativa).
O acesso í s drogas é cada vez mais facilitado. Tanto das lí­citas, quanto ilí­citas. E há dois lados: o mercado das lí­citas, extremamente publicitário, e o das ilí­citas, sobre o qual se assenta uma trama de relaçíµes fundada naquilo que muitos chamam “poder paralelo”. As lí­citas, como o álcool e o cigarro, são encontrados em qualquer esquina. Já as ilí­citas são obtidas geralmente a partir de contatos prévios com outros usuários ou mesmo com os traficantes. Isso quando estes dois não estão fundidos numa só figura. No fim das contas, em ambos os lados, prevalece o interesse econí´mico que norteia o fornecimento das drogas.
Diante de tal panorama, há poucas soluçíµes que não as medidas de enfrentamento. Que não se entenda aqui que o uso do termo enfrentamento seja uma alusão a medidas violentas, banalmente repressivas. A palavra adquire conotação de colocar-se diante do problema, adotar posturas e atitudes que busquem a sua solução. E o primeiro passo nesta tentativa é abordar o tema, provocar discussíµes em torno da dependência quí­mica proveniente do uso de drogas e suas consequências í  Saúde Pública.
Talvez um dos exemplos desta postura seja o Programa de Educacional de Resistência í s Drogas (PROERD), como pode se visto na página 21. A aproximação dos agentes de segurança pública com a comunidade é um dos caminhos em duas linhas de frente para a estratégia de enfrentamento: a prevenção ao uso e o combate ao tráfico. O primeiro se aplica bem ao caso do PROERD, quando estudantes, crianças e adolescentes tornam-se transmissores de conhecimento ao ambiente familiar. O combate ao tráfico é possibilitado na medida em que esta relação de proximidade e confiança com o policial é estabelecida, quebrando alguns preconceitos e estabelecendo ví­nculos sociais.
De nada adianta também termos policiais, medidas repressivas e programas de combate ao uso de atendimento e tratamento ao dependente quí­mico se não nos envolvermos na discussão do problema ou tomarmos pequenas iniciativas que colaborem no combate í s drogas, evitando e combatendo o acesso fácil, com discussão e participação democrática no fomento a polí­ticas públicas. Na próxima edição, abordaremos novamente a questão.