

Alguns podem achar um tanto bairrista a seleção de um assunto como este a um editorial de edição especial de aniversário de 3 municípios importantes í região Centro Sul do Paraná. No dia 14 de julho, Rio Azul e Teixeira Soares completam, respectivamente, 90 e 91 anos de emancipação política. No dia seguinte, é a vez de Irati completar seu primeiro ano pós-centenário. Mas para entender o pertencimento, faz-se necessário desvencilhar-se da conotação negativa que a expressão bairrismo assume. E por que o bairrismo deve ser apreendido nessa óptica? Não poderia ser encarado como uma valorização a terra em que vivemos?
De acordo com Ana Lúcia Amaral, no Dicionário de Direitos Humanos, o pertencimento é a crença subjetiva numa origem comum que une distintos indivíduos. Assim, os indivíduos pensam em si mesmos como membros de uma coletividade na qual símbolos expressam valores, medos e aspiraçíµes. Por vezes, este sentimento faz destacar características culturais e raciais.
Sob a licença de uso da definição da mestre em Ciência Política da USP e procuradora Geral da República que aqui abordamos, cada passagem de aniversário do município leva-nos í reflexão sobre este sentimento, que aflora fortemente a esta época. E cabe aqui a crítica: tal pertencimento deveria vir í tona não só nesta época do ano, rotulado sob o termo “civismoâ€. O pertencimento, como bem conceitua a cientista política, significa que “precisamos nos sentir como pertencentes a tal lugar e ao mesmo tempo sentir que esse tal lugar nos pertence, e que assim acreditamos que podemos interferir e, mais do que tudo, que vale a pena interferir na rotina e nos rumos desse tal lugarâ€.
í‰ esta potencialidade de interferência exercida plenamente por uma população que pode contribuir ao progresso de um município. E falta muito para que ela seja exercida? Pode ser. Mas se resgatarmos alguns valores identitários e delimitá-los, torna-se viável a discussão para que esta intervenção seja feita pela cidadania, respeitando na coletividade, a diversidade de pensamentos, crenças e consciência do outro dentro do ambiente coletivo.
E é isso que devemos resgatar num momento como esse. Aproveitarmos a ocasião para alavancarmos o sentimento de pertencimento, de amor pelo local em que se vive, de respeito mútuo. E que nos guie não só nos momentos decisivos, geralmente de quatro em quatro anos, mas também no cotidiano, sentindo que vale a pena viver “em†e “por†um lugar.