O direito do idoso deve ser respeitado

O Estatuto do Idoso entrou em vigor há quase cinco anos. E foi comemorado como conquista por uma faixa etária da população brasileira que tem crescido nos últimos anos, fruto do aumento da longevidade alcançado nas últimas décadas, com os avanços da medicina. Esta camada social, nos dias de hoje, constitui praticamente 10% da população nacional.
Mas aquilo que pode ser considerado um dos itens fundamentais do estatuto, o atendimento prioritário e imediato nem sempre é respeitado. O que se vê são filas de idosos em vários locais do espaço urbano. Pela reportagem “Estatuto do Idoso completa cinco anos com fragilidades”, nas páginas 08 e 09 desta edição, não se quer apontar culpados, mas que apenas sirva de reflexão para que a população passe a encarar o idoso com outros olhos, não como um fardo a ser carregado. Afinal, há grandes chances que cheguemos a mesma idade e estejamos sujeitos í s fragilidades próprias do ser humano.
Pode-se argumentar o que for - sucateamento da máquina pública, insuficiência de repasse de verbas para atendimento eficiente na Saúde, aumento da demanda desta faixa etária em serviços prestados por bancos, por exemplo, para não citar outros. Mas nossos pais, avós, bisavós merecem chegar í  terceira idade com dignidade, sendo respeitados por tudo o que fizeram e até mesmo pela sabedoria dos tempos que carregam na alma.
Atos simples podem mudar tal realidade. Basta nos colocarmos diante do outro, no lugar do próprio idoso, em suas limitaçíµes fí­sicas - embora muitos mostrem possuir energia superior í  apresentada por qualquer jovem ou sujeito acomodado, a reclamar de sua sorte. E aí­ há uma distãncia enorme a ser percorrida por nossa sociedade, pois em um mundo um tanto instrumentalista, onde se tem o hábito de transformar cidadãos em estatí­sticas, persistem o preconceito, as barreiras culturais, o individualismo.
í‰ preciso antes de tudo uma transformação cultural. Afinal de contas, é necessário criar uma lei para exigir respeito ao idoso, um princí­pio básico, capital a qualquer sociedade minimamente civilizada, que tem amor a seus entes, í queles que construí­ram com muito suor, a partir do seu trabalho, o paí­s sobre qual se assenta o solo que os filhos pisam? Respeito aos mais velhos é educação que vem de berço e deve ser seguida por todos nós em qualquer momento da vida, seja enquanto indiví­duo, seja em coletividade. A aplicabilidade do Estatuto do Idoso torna-se antes de tudo uma questão de princí­pios e de direcionar o nosso olhar ao próximo.