

Não bastassem os prejuízos causados por geadas ocasionais, pelo crescimento dos índices de inflação registrados no país e também pelo baixo preço pago aos produtores rurais, agora os agricultores sofrem também com o alto custo de adubos e fertilizantes. Em alguns casos foi registrado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (SEAB) um aumento que superou a casa dos 100%, o que significa que gastou-se nesse ano mais que o dobro do valor empregado em 2007.
Diante desses números a expectativa do setor e também dos consumidores é de preocupação, já que alinhado ao atual preço dos fertilizantes encontra-se também a elevação da demanda mundial por alimentos e o crescente incentivo ao cultivo dos biocombustíveis, o que pode ocasionar na diminuição da área de produção de alimentos no país e elevar ainda mais a inflação e o preço dos ali-mentos.
Nota-se que recentemente o Banco Central veio a público informar que o IPCA, índice de Preços ao Consumidor Amplo, deve fechar o ano em 6,48%, número superior aos 4,6% previstos para o acumulado do ano. Uma possível alta nos preços dos alimentos viria para acentuar ainda mais essa situação, uma vez que o preço dos alimentos já está entre os principais motivos dos índices atuais de inflação.
A elevação desses preços encontra reflexo imediato na mesa e no bolso do trabalhador brasileiro, fato corriqueiro na história desse país. Esse aumento atinge principalmente a população de baixa renda, ou seja, aqueles que mais precisam são também os que mais sofrem com essa situação. Analisando o cenário atual e com um pouco de memória percebemos o quão preocupante é a conjuntura atual. Basta lembrar da recente elevação de preços de produtos como feijão, cebola, tomate, leite, pãozinho, entre outros.
Perante as condiçíµes atuais os produtores encontram-se receosos quanto ao que está por vir, já que a maior parte da matéria-prima utilizada na confecção desses fertilizantes é fruto de importaçíµes. O setor está de mãos atadas e geralmente quando isso acontece nós sabemos bem qual é o passo seguinte a ser dado: entregar o problema para a sociedade.
Ainda que de maneira acanhada os repasses aos consumidores estão ocorrendo e uma coisa é certa: o alerta já foi dado e situa-se em algum tom entre o laranjado e o vermelho. A nós resta aguardar e torcer para que aquilo que parece um vendaval não passe de outra brisa leve, pois o consumidor está cansado e calejado com esta situação.