Fórmula onze e meia

Ela se aproxima e depois do abraço diz que me lê sempre. Sério? Pergunto. Fico grato e no começo do envaidecimento pergunto, jamais deveria, o que acha, se gosta, essas coisas. Ela diz que algumas coisas, a maioria, não entende, mas acha engraçado: “a Dona Marislawa eu acho muito gozada!”. Merislawa, digo. “Isso, a Dona Marislawa!”. Sorrio e no abraço gostoso do encontro inusitado e da afirmação idem, entre sorrisos e risos, a sugestão do assunto para as próximas colunas. Antes tento arrancar algumas observaçíµes pretendidas importantes: percebe o estilo? O que acha da ausência de parágrafos? Dá pra entender e perceber o desalinhamento lógico da estrutura frásica? Frases propositalmente longas demais para obrigar a releitura para o entendimento? Não! Ela responde. “Se for observar isso não leio. í‰ melhor não entender e ler do que ler desse jeito e continuar não entendendo e parar de ler! Não Acha? Agora, quando tem palavra escrita errado eu percebo. Por exemplo, um dia você parece que escreveu aniversário com um esse só.” Mas aniversário é com um esse só. “Não, claro que não. Eu sempre escrevi aniversário com dois esses e nunca ninguém me disse que aniversário é com um esse só! Até comentéi com a minha vizinha que você tinha escrito aniversário errado, com um esse só e ela não disse nada que eu é que estava errada!”. Tudo bem, sem problema. Se a senhora sempre escreveu aniversário com dois esses, continue escrevendo com dois esses. O importante é que o aniversário seja festejado. Se com um ou dois esses não importa, o importante é reunir os amigos e comemorar. “Viu como são as coisas? Nos encontramos e eu falei que te leio e você começou a falar de umas coisas mais complicadas que eu não entendi dereito e ainda assim a gente continua conversando e da coluna o assunto passou pra como se escreve aniversário e agora já dizemos, ou melhor, você diz, que o importante é comemorar o aniversário e não como se escreve aniversário. Parece assunto para a Dona Marislawa”. Merislawa! “Que seja, Marislawa! Inclusive essa coisa de, como que é mesmo? desalinhamento lógico da estrutura frásica? í‰ coisa pra Dona Marislawa.” Merislawa!
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No último final de semana aconteceu o 13º TLC de Irati e entre risos e lágrimas e rouquidíµes, a alegria de ver uma multidão de jovens alinhados na mesma emoção de terem vivenciado uma experiência de encontrarem-se a si em Cristo.
Com emocionada lembrança me reportei há mais de vinte anos e revivi a força do final do encontro. O mundo era outro; os jovens eram outros; as relaçíµes familiares se davam em outras estruturas e bases e até valores. Deus, na sua expressão Trina não é outro. Portanto as estruturas e bases e valores determinantes do seu reconhecimento e da sua presença na individualidade, famí­lia e sociedade não podem ser outros.
A preservação dos valores tão necessários ao exercí­cio do amor fraterno e da busca da paz como práticas para a reconstrução do mundo, acontece em momentos de encontro como o realizado pelo TLC.
Num raciocí­nio tão lógico quanto ingênuo, ou inútil, percebo com desconfortável sensação de perda que jamais poderei ser como qualquer um dos jovens que ali estavam, cantando, e pulando e louvando a Deus; entre eles a minha filha. Nem piorados eu poderei ser um deles. E, no entanto, eles têm tudo para ser eu, por qualquer razão que a própria fragilidade espiritual determine, melhorados. Se mudam, e mudam, os homens, num processo tão inevitável quanto irreversí­vel, que mudem para melhor.
Parabéns aos coordenadores do TLC. Vocês são bençãos do Altí­ssimo que se esparramam no mundo.