

Neste inverno, o vilão na alta das hortaliças não é a geada, mas o alto preço dos insumos agrícolas, que tem encarecido a produção
Irati - Com a chegada do inverno e das constantes geadas é comum verificarmos nos supermercados alguns aumentos no preço dos hortifrutigranjeiros. Quando não é o tomate que subiu é a alface, outrora o brócolis, quando não a batata, e por aí segue. Mas produtores que expíµem verduras e hortaliças na Feira do Produtor Iratiense constatam que o vilão desses tempos possuiu outro nome que nada tem a ver com as baixas temperaturas: o alto preço de adubos e insumos agrícolas.
Rogério Perek é um produtor que há seis anos participa da “feirinha†e, recentemente, devido í geada do mês passado, perdeu 30% de sua produção de alface. “O preço, que antes era de R$ 0,35 por cabeça, agora é de R$ 0,50 e seria R$ 0,75 caso a geada não tivesse causado danos í plantaçãoâ€, conta o produtor. A freguesia, segundo ele, considera o preço justo pois sabe reconhecer um bom produto quando vê um, mas o produtor garante: “A geada a gente já prevê e ainda assim preço poderia ser mais barato, não fosse o custo dos insumos...â€.
Na barraca da frente outro produtor, Irineu Lucavey, concorda com o colega. “No começo do ano, eu pagava R$ 34 num saco de adubo e hoje não encontro por menos de R$ 60. Esse valor dificulta para a genteâ€. Para os pequenos produtores, além das geadas e do crescimento no custo do cultivo, a dificuldade também aparece na hora de vender a produção, uma vez que muitos deles abastecem mercados e supermercados da região. “O preço dos produtos que compramos no mercado está lá em cima, enquanto que quando eles (mercados) vão comprar os nossos, colocam o preço lá em baixoâ€, conta Angela Maria Cosmos, cujo marido produz cebolas, milho, feijão e soja para vender na Feira do Produtor e na região.
Para os produtores a política de exportaçíµes do Governo Federal também é responsável pela crise no setor. “A ausência de uma cota para abastecer o mercado interno faz com que a oscilação de preço aconteça. Caso contrário trabalharíamos de graçaâ€, afirma Irineu Lucavey.
A alta no preço dos adubos e insumos agrícolas acontece porque o Brasil não é auto-suficiente no setor. Quem afirma é o produtor Pedro Zanlorensi. “Cerca de 60% dos adubos é fruto das importaçíµes, por isso fica complicado sustentar o preço. Outro problema é que o preço do adubo acompanha o do petróleo e esse nós sabemos que de um ano pra cá dobrouâ€, conta Zanlorensi.
Números divulgados pela Agroconsult, consultoria especializada em agricultura, mostram que o Brasil deverá consumir 25,5 toneladas de fertilizantes até o final de 2008. Esse número, em relação í safra do ano anterior, sofreu um crescimento de 4,5% sendo que o valor pago pelo produtor esse ano teve um aumento que varia entre 5 a 8%. Voltando um pouco no tempo o produtor Pedro Zanlorensi compara: “Há cerca de dez ou quinze anos atrás a gente trocava um saco de milho por quatro ou cinco de adubo. Hoje essa proporção se inverteuâ€.
Na situação atual tanto os grandes produtores quanto os pequenos estão temerosos quanto aos resultados para os próximos meses. “Com a inflação os produtores ficam de mãos atadas porque o custo da produção aumenta enquanto que o preço de mercado é tabeladoâ€, conta José Assis Garcia, que trabalha com vendas no setor agrícola. E para os próximos meses o vendedor alerta: “a expectativa é que junto com a nova tabela do setor venham mais reajustes. O melhor a fazer é manter a cautelaâ€.
Luis R. Lopes, da redação