

Era um domingo, 11 de abril 1993, com chuva, em Donington Park. No grid de largada Prost com Williams; Hill, também Williams; Schumacher, Benetton; Senna, McLaren e Karl Wendlinger, com Sauber, fechava os cinco primeiros. Quando a cor da luz mudou de vermelho pra verde, o pau comeu. No racha, Michael “Dick Vigarista*†Schumacher, jogou seu carro pra cima do carro de Ayrton, que teve que colocar duas rodas fora da pista pra se livrar da batida. Nesse entrevero, Karl Wendlinger, que havia largado em quinto, se aproveitou da situação e pulou pra terceiro, por pouco tempo.
Seria ultrapassado por Senna, na curva Craner. Despachados, Schumacher e Wendlinger, os próximos seriam as Williams, de Hill e, em seguida, a de Prost. Tudo isso na primeira volta do GP da Europa, num domingo chuvoso em Donington Park, na Inglaterra.
São imagens que povoam as minhas lembranças, de um tempo que a gente era bem mais feliz e não sabia. De lá pra cá, pouca coisa relevante se viu na F1. Claro que existe o contraditório, mas a anotação é pessoal e ninguém é obrigado a concordar comigo.
Tudo ia bem até domingo, melhor, o marasmo ia bem até domingo. O Lewis é bom? Não tenho a menor dúvida. O Robert Kubika, também é bom? Taí, também não tenho a menor dúvida. Tem também o Alonso, e os outros. Só que, não por patriotada, o Felipe Massa é melhor que esses caras. Agora, é um azarado.
Aquilo que se viu domingo é caso pra benzedeira. Galho de arruda, figa de guiné, fita vermelha, imediatamente devem ser incorporados aos utensílios da Ferrari do Massa.
A largada foi brilhante, sem e nem pensar em comparação com o Ayrton, um é um o outro é o outro, mas que lembrou, lembrou. Gana, garra, faca nos dentes e seja o que Deus quiser, só que Ele não quis. Aquilo de partir pra decidir nos primeiros cem metros é pra quem sabe tudo da profissão, e o Felipe provou que sabe. Agora só falta um pouco de juízo da Ferrari pra determinar quem é quem na ordem do dia. Se tiverem, apostam do Felipe Massa, se não tiverem, deixam como ta pra ver como é que fica. Aí vai ser muito tarde.
* O apelido foi dado a Schumacher por jornalistas europeus, pois, além do queixo prognata, proeminente, que lhe confere certa semelhança com o vilão do desenho animado da “Penélope Charmosaâ€, o piloto alemão também agia como tal. A anotação é do meu amigo Hélio de Castro.
A figura - Numa decida “pro centro†da cidade, me dão uma noticia triste: o Darci Pica-Pau morreu. Típica sacanagem, brincadeira de mau gosto. O Darci era o tipo do cara pra não morre, tinha que ser incorporado ao patrimí´nio artístico/intelectual/musical da vila, sem prejuízo de terceiros. Amigo de políticos importantes, não teve tempo hábil nem apoio, pra ser o vereador que queria ser. E não estranhem, dentro da atual conjuntura até que seria uma boa opção. Terno e chapéu ou trajes civis; violão ou gaita, ou organizando o trãnsito, era, a seu modo, o que queria ser, sem lenço nem documento. Fazia parte da paisagem e, assim, insubstituível. Não existe concurso pra Darci Pica-Pau logo, não haverá outro, não haverá reposição. Reposição, substituição é o destino de pessoas comuns, e ele não era comum. A gente ainda vai sentir falta do Darci. Mas Deus sabe quem leva.