Simples cuidados podem ajudar idosos no dia-a-dia

Autocuidado, alimentação, adaptação da casa e carinho são algumas medidas que contribuem com a qualidade de vida das pessoas da terceira idade
Irati - De algum tempo para cá a questão do envelhecimento vem recebendo um tratamento especial em nossa sociedade. O tema ganhou mais espaço para o debate em meados de 2003, quando foi aprovado e sancionado o Estatuto do Idoso, que garante direitos e estipula deveres í s pessoas com mais de 60 anos de idade. No ano passado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatí­stica (IBGE) aumentou de 71,9 para 72,3 a expectativa de vida do brasileiro. Como conseqí¼ência direta desse aumento é comum que cresça também o número de idosos com problemas de saúde.
Antigamente não tão antigamente assim, as pessoas que careciam de alguém para cuidar de um idoso na famí­lia recorriam a conhecidos da famí­lia. Um pouco pelo custo mais em conta e um pouco pela ausência de profissionais especializados na área, mas poucos sabem que desde 1991 o Ministério do Trabalho reconhece o cuidador de idosos como profissão, sujeita a todas as leis da CLT. “As pessoas que cuidavam de idosos há algum tempo atrás acabavam interferindo negativamente no tratamento por desconhecer a maneira correta, uma vez que o idosos é mais sensí­vel no tratar”, afirma Cristiana Maria Schvaidak, enfermeira e professora do curso Como Cuidar de Idosos, oferecido í  sociedade pelo Senac.
Segundo a professora, a maioria dos casos os cuidados requeridos pelos idosos são simples, mas de grande valia para eles. “Um paciente que recebe internamento com um caso de pneumonia, por exemplo. Ao receber alta e ir para casa não pode permanecer sem movimentação por muito tempo ou então receber uma alimentação inadequada, já que isso pode fazer voltar a pneumonia e levá-lo ao hospital novamente”, conta Cristiana, que enfatiza: “O simples fato de levantar a cabeceira da cama para dar a alimentação ao paciente pode evitar que o mesmo venha a ter uma pneumonia. Isso dá uma idéia de quão sensí­veis eles podem ser.
A primeira precaução apontada pela professora é em relação ao autocuidado do idoso. “Verificar se o idoso vem tomando banhos regulares, se mantém o hábito de escovar os dentes, se está incomodado com alguma ferida ou mancha na pele são básicos mas fundamentais nessa idade”, afirma Cristiana, que exemplifica: “Quando o idoso permanece por muito tempo na mesma posição podem aparecer as escaras, que são feridas localizadas que podem ser evitadas apenas movimentado-os”.
Cuidados com a adaptação da casa, evitando escadas, tapetes e pisos escorregadios, e com a dieta alimentar - que varia de pessoa para pessoa - são outros cuidados que devem ser tomados por aqueles que possuem idosos em casa. O número de internaçíµes derivadas de um escorregão na cozinha ou durante o banho é considerável, por isso recomenda-se, no caso do idoso não possuir um acompanhante para esta atividade, não chavear a porta do banheiro.
Mas engana-se aquele que pensa que todo cidadão ao atingir os 60 anos de idade requer tratamento especial ou individualizado. De acordo com a professora “existem idosos com 80 anos ou mais que são fortes a ponto até de subir em uma árvore”, mas existem também aqueles mais jovens que, geralmente por adquirirem algum tipo de doença crí´nico-degenerativa, passam a necessitar de atendimento especial antes mesmo de chegar a terceira idade. “Isso é bem relativo, como também é relativo o tipo de doenças que atingem homens e mulheres durante a terceira idade. As mulheres tendem a apresentar um maior quadro de osteoporose que os homens, que por sua vez apresentam um número maior de doenças pulmonares que as mulheres. Mas o inverso também acontece, então pode-se dizer que é um cuidado geral”, garante.
Aqueles que acreditam que a função do cuidador se restringe ao paciente enfermo também cometem um equí­voco. A esse profissional cabe também promover o lazer e as atividades fí­sicas e de recreação, sendo que em alguns casos o simples fato de sentar para uma conversa informal com o idoso já é o suficiente para evitar uma internação. “Existem casos de idosos que pedem para se internar ou para continuar no hospital porque não encontram demonstraçíµes de carinho e atenção semelhantes em seus próprios lares. O que mostra que muitas vezes o remédio para eles é uma boa dose de amor”, conclui.
Texto: Luis R. Lopes, da redação