SEAB registra cinco focos de raiva herbí­vora em Irati

Secretaria registrou 48 casos somente nos primeiros cinco meses do ano
Irati - Na última terça-feira (12) foi realizada no auditório da Associação dos Municí­pios da região Centro Sul (AMCESPAR) uma palestra sobre prevenção e controle da raiva herbí­vora. O tema veio í  tona devido aos focos da doença registrados recentemente na região, sendo que em Irati ocorreram cinco casos envolvendo animais eqí¼inos e também bovinos. A raiva herbí­vora é considerada pelos órgãos oficiais de saúde uma doença grave, sem cura e que pode levar o animal a óbito no perí­odo de três a dez dias. No Paraná, o número de registros saltou de 89, em 2005, para 241 no ano passado. Por isso a SEAB e os produtores da região estão atentos aos focos numa tentativa de erradicar a doença de nossa região.
A raiva herbí­vora é transmitida principalmente pela picada do morcego hematófago, aquele que se alimenta do sangue dos animais, e começa a preocupar os órgãos de saúde do estado. No Paraná o número de casos, que não passava de 90 por ano até 2004, fechou 2007 com um total de 241 registros em quase todas as regiíµes do estado. Neste ano, até o dia 30 de maio, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado registrou 48 casos no estado, mas de lá para cá muitos mais ocorreram. “O que a gente percebe é que alguns produtores não querem notificar a SEAB quando ocorre um caso de raiva herbí­vora na sua propriedade, isso faz com que as estatí­sticas reais do problema sejam um pouco maior do que os números oficiais”, conta Cristina B.A. Bittencourt, médica veterinária da defesa sanitária animal da SEAB de Irati.
Os sintomas apresentados pelos animais, de acordo com a médica veterinária, são essencialmente comportamentais e podem ser distinguidos em duas fases da doença. Num primeiro momento ocorre uma mudança de comportamento, o animal perde a coordenação motora, apresenta reaçíµes de medo e dificuldades para desviar de obstáculos. Após esses primeiros sintomas vem a parte terminal da doença. “Na seqí¼ência surge a paralisia, principalmente nas patas traseiras, o animal começa a tropeçar bastante e apresenta dificuldades para se manter de pé. Depois disso vem os tremores e também os movimentos de pedalagem, quando as patas traseiras não respondem mais, depois disso o animal tende a entrar em óbito”, conta Cristina, que alerta, “nesses casos deve-se chamar a defesa sanitária animal imediatamente para que sejam realizados no cérebro do animal exames laboratoriais que vão dizer se o animal estava mesmo com a doença. No caso do diagnóstico ser positivo as pessoas que entraram em contato com ele devem ser vacinadas”, conta.
A raiva herbí­vora é uma doença infecto-contagiosa que, a partir da inoculação do ví­rus no corpo do animal, evolui até o sistema nervoso. Em Irati, os casos registrados ocorreram nas localidades rurais do pinhão preto, palmital, cadeado santana e os dois últimos registros são adjacentes a cachoeira do palmital.
Os seres humanos também podem contrair a doença, da mesma forma que ocorre com os carní­voros. Felizmente, no caso dos humanos, além da vacina, é possí­vel ainda se tratar com soro, desde que o tratamento ocorra logo após o contato com o transmissor.
A SEAB informa a população das áreas vizinhas a esses focos que é importante vacinar os animais para prevenir que mais casos não apareçam. “Em primeiro lugar deve-se vacinar os animais, depois é importante também procurar os locais onde os morcegos hematófagos possam se esconder e fazer uso da pasta vampiricida no local onde os animais estão sendo sugados”, conta Cristina, que informa também que a SEAB vem encontrando casos de omissão da doença na estado; “Nós tivemos casos de proprietários que chegaram a comprar a vacina mas não vacinaram todos os animais, o que não resolve o problema. Deve-se salientar que até mesmo gatos e cachorros devem ser vacinados”, conclui.
Segundo a médica veterinária, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado visitou até o momento mais de 130 propriedades, além de realizar palestras por cidades do interior, reuniíµes com os conselhos de desenvolvimento rural, colégios e também divulgação na imprensa. Qualquer dúvida sobre o assunto a SEAB fica na rua Dr, Correa, n° 100, esquina com a prefeitura municipal, e também atende pelo número 3422 8787.
Texto: Luis R. Lopes, da redação.