

Vimos todos a beleza que foi a abertura da Olimpíadas na China. Mais difícil ainda destacar um dos quadros como favorito, dos que compuseram a grande ópera/epopéia que é a história de tudo aquilo. Segundo o pessoal que cobre pra imprensa, e acompanha há muito tempo os eventos nada, anteriormente, teve o mesmo brilho. Acredito, afinal quem sou pra duvidar de tão credenciadas personalidades.
O engraçado é que alguns tópicos dessa festa me lembram bastante esses jogos abertos que se disputam por aí. Quem já mexeu com o meio sabe o que quer dizer “gato†na linguagem esportiva que impera como ação de espertos. í‰ aquela história de falsificar documentos pra permitir que alguns atletas participem do evento. Não é que surgiu uma dúvida a respeito da idade de alguns atletas chineses. Pois é, logo os donos da casa. Doping não pode; alterar a idade, se não for descoberto, pode. Outra coisa que sempre ofuscou o brilho dos nossos abertos: importação de atletas.
Alguns paises que se apresentaram para as porfias fizeram-no através de atletas “oriundiâ€, isto é, importados e nacionalizados, caso do ví´lei de praia. Tudo muito igual. Aforando estas particularidades, o berro. O presidente dos EUA, antes de embarcar pra assistir os jogos desceu o cacete (santa hipocrisia) no governo chinês. Jogo de cena. A economia americana, capenga, creio, estaria em situação muito pior se não fossem os brutais investimentos dos anfitriíµes, nos Estados Unidos da América do Norte. í‰ verdade! Quer exemplos? Você compra uma raquete com marca americana e encontra um selinho, quase escondido, com a inscrição “Made in Chinaâ€. E de raquetes a utensílios domésticos, roupas, brinquedos, eletroeletrí´nicos e uma gama quase infinita de penduricalhos, ta lá o selinho.
E em que tipos de indústria e por quem são fabricados esses produtos? Exatamente naquelas execradas pelos paises industrializados, por serem clonadoras de produtos com patentes protegidas, e por uma gama de sub-trabalhadores explorados í exaustão. Eis uma parte do milagre. Mas nem tudo é desgraça na China. Dos um bilhão e trezentos milhíµes de habitantes, 35 milhíµes de crianças estudam piano. Pode não ser a solução, mas é uma perspectiva. Grande perspectiva. Já, aqui...
Não muito longe dali, no Cáucaso, o povo foi pra porrada - pra provar que nem tudo é olímpico nesses dias que correm. A encrenca é meio antiga, começou em 1992, quando a Ossétia do Sul proclamou sua independência da Geórgia, que não aceitou o divórcio consensual. De lá pra cá, não houve mais sono tranqí¼ilo e o caldo entornou na quinta-feira passada.
Com um saldo de quarenta mil refugiados e aproximadamente dois mil mortos, a imbecilidade continua. Sempre gostei muito do filmes de guerra, principalmente aqueles em que havia uma história de batalha aérea. Até quis ser piloto de caça. Um dia, lendo a história de um piloto de caça desisti do meu sonho quando ele, narrando uma batalha, disse: “quem é meu inimigo? Quem é aquele que eu tenho de matar? Talvez pudesse ser um meu grande amigo se nosso encontro se desse de forma diferente. Nós dois sempre gostamos de aviíµes, e porque queremos agora nos matar?â€ í‰ disso que falo quando digo que qualquer guerra é uma imbecilidade. Poderíamos todos nos encontrar de forma diferente.