Secretário de Saúde visita Irati e fala sobre os projetos do Estado para melhorar o setor

Na última quinta-feira (07) o secretário de saúde do estado do Paraná, Gilberto Berguio Martin, passou por Irati para uma visita informal. O Hoje Centro Sul esteve na 4ª Regional de Saúde para conversar com o secretário, que falou sobre as medidas tomadas de forma a melhorar o atendimento no estado e também sobre as prioridades do atual governo para a área da saúde.
Gilberto Martin nasceu em 1958 no municí­pio de Catanduva, no interior do estado de São Paulo. Se formou em medicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 1983 e no mesmo ano assumiu a secretaria de saúde de Cambé, onde permaneceu até 1988. Tem especialização em saúde pública pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Gerontologia pelo Inbrape, e possui mestrado em saúde coletiva pela UEL. Na área pública, além da secretaria municipal de Cambé, Gilberto ocupou o cargo de prefeito na mesma cidade durante o perí­odo de 1993 a 1996. Em 2003 comandou a 17ª regional de saúde de Londrina e no ano seguinte foi convidado a assumir a diretoria do sistema de saúde, em Curitiba. Em 2006 foi eleito deputado estadual pelo PMDB. Retornou í  área da saúde como superintendente de gestão do sistema de saúde em 2007 e em novembro deste mesmo ano foi convidado pelo governador Roberto Requião para assumir a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (SESA).
Secretário, com dois anos e meio de governo Requião pela frente, quais são as prioridades para terminar esses oito anos de mandato em relação a saúde no Paraná?
Descentralizar a estrutura de assistência a saúde no Paraná, através dos hospitais regionais, a outra prioridade é reduzir o í­ndice de mortalidade infantil e materna, através das unidades de mulher e da criança, e também conseguir reorganizar o fluxo assistencial através dos hospitais e acabar com as filas de espera, principalmente das chamadas média complexidade e mantermos o Paraná livre das doenças emergentes e reemergentes, como é o caso da dengue e da febre amarela, quem tem colocado a nossa população sobre risco.
E quais são os principais programas do governo do estado em relação í  saúde no Paraná?
Nós estamos trabalhando em um processo de descentralização da estrutura de assistência í  saúde. No começo do governo nós tí­nhamos déficits de leitos de UTI em todas as regiíµes do estado; eram cerca de 700 leitos de UTI e hoje estamos próximos de mil e trezentos leitos. Então essa era uma das principais crises que enfrentávamos no começo do governo. Começamos com menos de duzentas equipes de saúde bucal e hoje contamos com cerca de mil e trezentas equipes. Estamos com mil e seiscentas equipes de saúde da famí­lia em todo o estado e nessa gestão o estado criou um incentivo que tem ajudado as prefeituras na implementação desses programas. Nós tí­nhamos muitas Santas Casas em processo de desativação, de inviabilidade, e aí­ foi criado um programa de incentivo a esses hospitais, buscando a expansão de seus tetos financeiros. O governo também autorizou um programa de incentivo a regionalização, que passa a todas as Santas Casas entre R$ 60 e R$ 100 mil como verba extra no auxí­lio í s atividades de custeio.
E sobre projetos mais especí­ficos, o que tem sido feito?
Dentro do desdobramento do programa de regionalização nós estamos implantando os hospitais regionais, que vão cumprir um papel decisivo nesse processo de descentralização. Hoje são 12 novos hospitais de grande porte e mais 31 ou 32 entre reformas, construção e ampliação. São hospitais de pequeno e médio porte que devem atender principalmente o interior. Os grandes hospitais como o Centro de Reabilitação, em Curitiba, e o Centro de Queimadas, em Londrina, além do hospital regional de Francisco Beltrão, hospital regional do litoral, hospital regional de Ponta Grossa, hospital da criança em Campo Largo, são hospitais que devem mudar o perfil do atendimento no Paraná. Nós queremos acabar com aquela história de que o melhor hospital do interior é uma ambulãncia que leva o doente até a capital, e já conseguimos reduzir o número de internamentos de pessoas do interior em Curitiba porque hoje alguns podem ser feitos no interior do estado. Ainda sobre programas gerais, vale reforçar que estamos combatendo a mortalidade infantil, destacando que de 2006 para 2007 os números do estado diminuí­ram de 13.7 para 12.5 a cada mil nascimentos. A maior redução de mortalidade infantil do paí­s. Compramos equipamentos e colocamos equipamentos em 44 hospitais que são referências em gestação de alto-risco, estamos implantando nos consórcios intermunicipais de saúde, ambulatórios de gestação de alto-risco, inclusive com a casa das gestantes, e estamos implantando as unidades da mulher e da criança. Vamos fechar o ano com 145 unidades da mulher das quais 44 prontas, 18 ficam prontas nos próximos dias e o restante está em processo de licitação sendo que as obras devem começar já no iní­cio de 2008 e o governador já autorizou mais 150 unidades dessas para o ano de 2008.
Números divulgados pela secretaria de saúde do estado mostram que quando o senhor assumiu a secretaria eram 14 Conselhos do Idoso em todo o Paraná e agora esse número ultrapassa 165. Quais são as medidas tomadas pelo atual governo em relação a saúde do idoso no estado?
Primeiro que existe um programa em conjunto com a Secretaria de Ação Social e Trabalho que, através do Conselho Estadual de Saúde do Idoso, estimula a criação dos conselhos municipais do idoso. Essa é uma forma de criar em todos os municí­pios do estado um espaço de defesa da saúde e da vida do idoso. Segundo que a gente está trabalhando com implementação de programas através do Programa da Saúde Familiar (PSF). Nessa semana, inclusive, nós tivemos uma reunião com o Conselho Estadual do Idoso em que nós definimos algumas atividades no sentido de começar a estruturar as equipes de saúde da famí­lia para que essas equipes façam o trabalho de acolhimentos e acompanhamento do idoso. Em 20 das 22 regionais nós estamos fazendo cursos de capacitação voltados aos cuidados com os idosos. Sem falar da cobertura vacinal do idoso dentro do Programa Nacional de Vacinação do Idoso; o Paraná é um dos estados que tem conseguido umas das melhores coberturas na vacinação nessa faixa-etária. Então estamos começando a estruturar um arcabouço de açíµes cujo objetivo é a inserção do atendimento do idoso na estrutura do sistema de saúde.
E em relação a mortalidade infantil no estado. O que tem sido feito pela secretaria?
A medida mais importante de todas é a implantação das unidades da mulher e da criança. Nós vamos fechar 2008 com 145 unidades, sendo 63 funcionando e as demais em processo de obras para que comecem a funcionar em 2009. E para 2009 a licitação e a contratação para a construção de mais 150 unidades já autorizadas pelo governo do estado, totalizando 295 unidades da mulher e da criança, o que significa que todos os municí­pios de pequeno porte do Paraná terão uma unidade dessas prestando serviços.
O senhor poderia falar mais sobre essas unidades?
São unidades construí­das e equipadas pelo estado que, depois de prontas, recebem o repasse mensal de R$ 8 mil para ajudar as prefeituras no custeio dessas unidades. Nessas unidades teremos médicos para mulheres e crianças, consultório odontológico equipado com aparelho de raio x, estrutura de enfermagem, aparelhos de ultra-som, toda unidade vai contar com aparelhos para realizar o acompanhamento da gestação desde as primeiras semanas até o final da gestação... Então pode-se dizer que é uma estrutura de atendimento que os municí­pios não dispíµe hoje.
E quando Irati receberá essa unidade?
Num primeiro momento nós estamos trabalhando com os municí­pios de menor porte, somente na seqí¼ência é que serão atendidos os municí­pios de maior porte. Irati deverá ser contemplada nessa segunda etapa, mas há a perspectiva da instalação da unidade da mulher e da criança em Irati, sim.
A questão das drogas é entendida por parte da sociedade como um dos principais desafios da saúde pública. Como o governo do estado tem atuado nessa área?
Hoje nós capacitamos hospitais psiquiátricos do estado onde antes nós não tí­nhamos nenhum leito de internamento psiquiátrico para menor em nenhuma condição e principalmente para menor com problemas psiquiátricos relacionados í  droga. Hoje temos cinco ou seis hospitais psiquiátricos em todo o estado. Nós criamos um programa que condiciona a ampliação no repasse do valor dos leitos gerais para adultos desde que os hospitais psiquiátricos criem leitos para também atender adolescentes nesses hospitais. Na medida que o hospital passa a ofertar leitos para adolescentes a gente faz uma remuneração especí­fica para esses leitos, diferenciada da remuneração que ele tem em relação aos leitos gerais. Dessa forma, nós jogamos o valor de todos os leitos gerais que esses hospitais possuem para o topo da tabela. Então isso dá um “plus” financeiro para esses hospitais, o que tem viabilizado uma melhora no atendimento.
Secretário, qual é o posicionamento do estado em relação ao fornecimento das fitas de testes para diabéticos, uma vez que o repasse desse material para os municí­pios não vem ocorrendo?
Na verdade esse é um programa que, até onde eu sei, está sendo desenvolvido, tanto que o governador assinou há uma ou duas semanas atrás uma autorização de R$ 13 ou 14 milhíµes para esse programa. Pelo protocolo do Ministério da Saúde não é obrigação do governo do estado fazer o fornecimento. Mas, pelo entendimento que nós temos, foi implantado um programa onde é fornecida a agulha, a fita, o aparelho para que o diabético possa fazer o seu controle. Até onde me foi passado não está faltando o esse tipo de insumo para o atendimento do diabético. Agora se isso não está ocorrendo nós precisamos ser informados para que a situação se resolva.
E em relação aos pacientes oncológicos, secretário. O que tem sido feito?
Com a nova portaria do Ministério da Saúde mudou a sistemática de implantação de serviços de oncologia. Hoje, através da unidade de assistência ao paciente oncológico, que pode ficar em um hospital da cidade, nós podemos credenciar o hospital para que ele faça cirurgias e também a quimioterapia. Aí­ fica somente a radioterapia de fora, que é de responsabilidade do estado. A maioria dos pacientes oncológicos precisa de uma retaguarda para o diagnóstico, inclusive a forma mais eficaz de tratar o cãncer é com o diagnóstico precoce. Então o paciente precisa de uma estrutura de diagnóstico aliada ao procedimento cirúrgico e de quimioterapia.
E sobre a possibilidade de Irati ser uma cidade captadora de órgãos, o que o senhor tem a dizer?
í‰ nosso objetivo na área de transplantes aumentar a estrutura para captação de órgãos e conseqí¼entemente salvar e melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas. Todos os hospitais que possuí­rem interesse em se capacitar como uma unidade de captação de órgãos basta solicitar a presença da central de transplantes e nós damos a retaguarda, a orientação e a preparação para que isso possa acontecer. Lembrando que o hospital que se qualificar passa a receber recursos quando se transforma em um centro de captação.
E sobre as campanhas de vacinação que começaram no último sábado, que mensagem o senhor gostaria de deixar para a população?
Ambas as campanhas, tanto a poliomielite quanto a rubéola, são importantí­ssimas. í‰ fundamental que os pais levem as crianças de zero a cinco anos aos postos de saúde para receber as duas gotinhas para mantermos o Paraná como o estados com maior í­ndice de cobertura vacinal. Sem falar que na medida que ultrapassamos 80% do total de vacinaçíµes nós eliminamos o risco de circulação do ví­rus selvagem em nosso meio. A poliomielite está afastada do estado desde 1986 e desde 1989 que o Brasil não tem nenhum caso. Agora a gente não pode baixar a guarda pois aí­ o ví­rus pode voltar a circular; daí­ a insistência para que se vacinem as crianças. E no sábado os pais de 20 a 39 anos também podem se vacinar contra a rubéola. A vacinação contra a rubéola ocorre de 9 de agosto a 12 de setembro em todos os postos de saúde do estado, sendo que esse ano as três principais equipes de futebol do estado (Coritiba, Atlético e Paraná Clube) estão ajudando na divulgação durante os jogos pois, no surto de 2007, 73% dos casos foram registrados na população masculina.
E como estão os registros de rubéola no estado do Paraná?
Nós tivemos, se não me falha a memória, 14 casos. No ano passado foram 67 casos em 2006 apenas 13. Mas em 2003, 2004 e 2005 nós não registramos nenhum caso. Então, como estamos enfrentando a reincidência da doença, é importante fazer a campanha.
Luis R. Lopes, da redação.

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