Carnavália

Não sei o que quer dizer carnavália, juro (até a janela do corretor do Word abriu pra perguntar se eu quero “adicionar ao dicionário”), mas foi o que ocorreu quando lembrei da presença, patética, do Ministro dos Esportes, Orlando Silva (nome de cantor antigo, né?) na televisão, tentando explicar que usara o seu cartão corporativo - numa tapiocaria, em Brasí­lia - porque havia se enganado. E pra tornar mais clara, e esfarrapada, a interpretação, mostrou os dois cartíµes: o dele e o do engano. í‰ engraçado - e trágico - o menosprezo que essa gente nutre pela inteligência alheia. Não me ocorre avalizar o engano por um motivo, se não houvesse vários: o cara se dá ao descuido de confundir o cartão que não é dele com o que é. Vejamos, se desaparece a diferença, os R$ 8,30 pagos pela tapioca, em Brasí­lia, podia ser R$ 83 mil, por um carro meia boca, ou R$ 830 mil, por uma carro ajeitadão. O descuido no caso é uma questão de ponto e ví­rgula. Caros, não tem essa de “se enganei-me” e usei o cartão que vocês patrocinam. O nome disso é má fé. Não para por aí­. No time desse atleta, tem o ministro da Secretaria Especial de Aqí¼icultura e Pesca (bonito, né?) Alten Gregolin, também chegado em um engano. Mas, bem melhor que os ministros do atletismo brasileiro e da pesca esportiva, foi a ex-ministra chefe da Secretaria Especial de Promoção das Polí­ticas de Igualdade Racial, Matilde Ribeiro: R$ 171 (Bolsa Cumpanhêro?) mil reais, distribuí­do entre aluguéis de carros, restaurantes e outra amenidades. O preocupante é que se fecharam - ou quase - as portas das informaçíµes í  respeito de gastos desse pessoal. Pra encerrar só mais umazinha. Foram denunciados gastos da filha do presidente (seria isto o Bolsa Famí­lia?), Lurian, que mora em Florianópolis. Teriam sido gastos R$ 55 mil, distribuí­dos por postos de gasolina, lojas de ferragens, livrarias, peças para automóveis e supermercados, com cartão corporativo. Assim fica difí­cil, né??
Carnaval - Uma exposição, na Casa da Cultura, de fotos de antigos carnavais na cidade dão a justa medida da surrada ‘não se fazem mais carnavais como antigamente’. Não mesmo. í‰ difí­cil expressar um e outro, os de antigamente e os de agora. Como quase todas as coisas, os de ontem eram festas de salão onde lança-perfume - usado em sua forma original - confete e serpentina temperavam í  festa. Era a ingenuidade na sua mais pura expressão. Mas também não muito, cara-pálida. Senão também não ia ter graça. Hoje os salíµes esvaziaram-se. O povo, que pode, corre para as praias - os que gostam de carnaval. Existem os outros, mas não servem como dado estatí­stico. A moçada que fica tem como alternativa a rua, que tem lá os seus encantos, mas não é a mesma coisa.
Mas eu penso que é assim mesmo. Visto do meu canto, não sei se é mais um carnaval ou menos um carnaval. No fim, não importa. Ambos estamos chegando ao fim. Mas que foi bom, foi.