

“Neste carnaval quero me arrebentar de tanto pular. Não vou perder uma única noite de folia e vou participar de todos os concursos que tiver, inclusive da mais sonhadora.â€
De uma arrebentadora de propósitos, participando sua energia em barraca de cachorro quente.
“Eu até pensei em formar um bloco que se chamaria ´Os Mentirosos`. Mas minha namorada me dissuadiu da idéias alegando que eu poderia estar antecipando a propaganda eleitoral e com isso fazendo apologia dos candidatos.â€
De um antecipador de discórdias, esparramando mal-estares em foliíµes desmascarados.
“Eu achei a sua roupa escandalosamente desproporcional ao tamanho das partes que deveria cobrir. Se bem que para cobrir aquilo tudo seriam necessárias peças inteiras de tergal.â€
De uma desproporcionadora de olhares, auto-envenenando-se e conformando suas carências nas exuberãncias invejadas, em noite na avenida
“Ficamos só sete vezes e ele já queria que lhe desse aquela cueca que tem uma tromba para a última noite de folia. Quando lhe falei que aquela tromba não tem nada a ver com ele, ficou brabo comigo e disse que nunca mais queria cruzar o meu caminho. Grande coisa!â€
De uma descruzadora de caminhos trombados, grandecoisando-se no infortúnio encuecado.
“No meu tempo de carnaval de rua era tudo diferente. As pessoas iam para a avenida e sabiam que iam ver animação, bom gosto e alegria. Hoje não tem a menor graça porque o que se vê é agarração, breguice e um indisfarçável apelo ao despropósito social.â€
De uma ave crácida, em lembrança tão inútil quanto as máscaras usadas noutros tempos... Naqueles em que as plumas escondiam as intençíµes hoje desprezadas.
“Gosto sim de carnaval porque é o único momento em que não preciso disfarçar o desejo de aparecer. Ao contrário, posso exagerar na intenção sem que isso ameace a minha posição. Afinal todos estão ali vivendo a mesma ilusão; despertando as mesmas reaçíµes; achando-se o máximo e pensando estarem sendo invejados.â€
De uma encantador de serpentes, indisfarçando a ilusão de se pensar desejado, em posição inpensada.
Enquanto isso, na Terra do Compromisso...
“Tintas opacas em realismo fantástico... quadro da dor.â€